Chiclete.

As situações mais engraçadas da minha vida aconteceram em um dia chuvoso.

O primeiro anel de compromisso que recebi, sentada no pequeno degrau da porta da vizinha, em meio a um frio congelante, que anunciava uma chuva torrencial. Foi só a caixinha flocada vermelha se abrir, para cair as primeiras gotas de chuva. Acho graça ao lembrar. Tanto improviso, tanta espera e felicidade no dia, para um relacionamento vir a desmanchar dois meses depois. Fiquei meses passando por aquele degrau da vizinha sem olhar. Passei a entrar pela porta da cozinha.

Lembro-me da primeira vez que bati meu primeiro carro. Estava toda eufórica, querendo levar as amigas em casa depois da faculdade, para mostrar meu brinquedo novo. Dito e feito. Como criança que destrói um presente em um dia na euforia de brincar com ele, lá se foi a lateral do meu carro. Parede má! A culpa de fato não era minha, aquela parede não era para estar ali.
Agora, a situação mais cômica de todas foi quando resolvi roubar um chiclete do supermercado. Estava em casa à tarde, vendo a chuva escorrer pela porta de vidro, quando decidi: era a hora de cometer uma loucura! Minha vida estava muito monótona. Troquei de roupa, peguei meu guarda-chuva e fui até o mercado, pensando no que eu iria fazer. Quando eu entrei, não pensei duas vezes, fui até a sessão de doces (eu tinha catorze anos, era a coisa mais gostosa que eu poderia pensar), peguei o pacotinho e joguei na cestinha. Nesta hora, meu coração disparou. Pensei em todas as possibilidades de erro.

Fiquei tensa quando eu passei pela porta. Pronto! Eu tinha cometido uma loucura!!!! Já poderia me orgulhar, já tinha uma história para contar para meus filhos e netos. E antes que passe pela cabeça de vocês que é um mau exemplo, eu posso explicar. A intenção não era comer um doce sem pagar, porque eu tinha como pagá-lo. Eu precisava de uma sensação diferente, algo que despertasse meus sentidos simultaneamente, que eu julgava perigoso dentro da minha imaturidade.

Quando eu saí do mercado, havia uma criança sentada no chão, daquelas que você olha e tem vontade de colher nos braços e levar na bolsa. Olhei pra ela, pensei no que tinha feito e a consciência pesou. Voltei para dentro do mercado, coloquei o chiclete no balcão e pedi para atendente registrar. Paguei.

Saí dali e dei aquele chiclete para a menina.

Eu recomendo: é importante fazer loucuras para testar os limites do que a sua alma suporta. Mas tem algumas que não valem tanto a pena.

E sem querer pude experimentar uma outra: fazer feliz o nosso próximo!

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