Decisões.

Tenho um problema muito sério: eu perco as coisas.  Desde as menores, até as maiores. E são sempre as coisas que mais preciso, aquelas que gritam o meu nome e me chamam. Olho nas gavetas, apalpo os bolsos, abro as sacolas de supermercado… e nada! Em cima da geladeira? Não! Ao lado da televisão? Nunca. Então deixo pra lá, vou à papelaria, ao mercado, à farmácia e compro o item perdido novamente.

Passa um tempo e, como num passe de mágica, eis que a coisa ressurge à minha frente, quase na ponta de meu nariz. Sempre exclamo: – Meu pai, como não pensei nisso antes?

Essa semana eu tomei uma decisão que não foi fácil (como nenhuma é), mas foi importante. Mas isso me custou horas sem dormir, o pensamento longe (mesmo tendo a situação perto demais), alguns esquecimentos e atropelos.  O processo de tomada de decisão, para mim, uma taurina às avessas, nada prática, é um martírio! Eu dou voltas, cobro detalhes, busco o aroma das coisas, o “antes” e o “depois” da pintura. É como se eu fosse ao “quartinho da bagunça” procurar um CD de música, em meio às quinquilharias. Levo uma lanterna, vasculho cada cantinho, reabro a gaveta onde larguei as coisas que mais queria na vida, as prateleiras onde esqueci os meus desejos mais intensos. Passo os dedos e sinto apenas pó. Pó e esquecimento. Desleixo. Descuido. Apesar de sair com as mãos vazias, acabo me dando conta do que deve ser feito.

Toda decisão é seguida por uma mudança radical, uma força transformadora. Não se trata de coragem. Trata-se de uma renovação de ciclo, já que a vida é uma constante renovação e precisa-se de movimento para reposicionar as coisas e reorganizá-las da melhor forma.  Mudança pra mim é sinônimo de desejo, paixão, fogo. É querer uma coisa, lá dentro e fazer ela acontecer aqui fora, arrancando do seu rosto os melhores sorrisos e dos seus olhos o brilho mais verdadeiro.

Então, por favor, não digam que eu tenho coragem… Aliás, podem até falar… vocês estão certos! Não é qualquer pessoa que tem a ousadia de abrir os braços para a vida para abraçar toda a felicidade que ela pode nos proporcionar.

Enquanto eu puder sair do lugar e dar o primeiro passo, eu darei.  Até porque se eu ficar ali, inerte, sempre apreciarei as mesmas paisagens.

E continuarei perdendo coisas… a de ser surpreendida pela vida, por exemplo. E isso não se compra.

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