Por e-mail, por favor.

Ultimamente eu tenho reparado mais nas pessoas. Nas da rua e naquelas que vivem comigo. E me dá certa angústia porque elas sempre estão correndo, sempre apressadas, olhando a hora e atendendo chamadas no celular. Atravessam as ruas antes de o sinal fechar, apertam o passo para pegar o metrô. Tudo tão acelerado.

Pior do que isso, são as desculpas que as pessoas dão para não se prolongarem em uma conversa, em uma festa ou em uma visita. Quer ver uma coisa que me deixa chateada? É alguém dizer que está com “comida no fogo”, como pretexto para terminar a ligação. Ora, por favor! Sei que não tem nenhum feijão, nenhuma panela no fogo e que você não sabe e não gosta de cozinhar, mas mesmo eu tendo esta clarividência, você ainda insiste em blefar. Ok, dá próxima vez eu direi que estou indo para a academia, aí fica “elas por elas”.

Eu acho impressionante como as pessoas apressadas perderam o gosto pela comunicação pessoal. A coisa toda tá superficial demais. Os compromissos estão praticamente “engolindo” as pessoas, fazendo com que elas sejam apenas cumpridoras de metas pessoais. Onde fica a gargalhada, as conversas até altas horas, o abraço, o ombro? A coisa está tão trocada, que daqui a pouco as pessoas não terão mais vontade própria, que agirão como robôs.

Vida, pra mim, não é só estudar, trabalhar, comprar, consumir, dormir e esperar o final de semana para se ter um pouco de descanso. Vida pra mim é viver. E viver não tem programação, horários. Aproveitar a essência das coisas, sem que para isso precisamos vender nossa alma para ninguém. E para isso você não precisa abandonar suas responsabilidades, porque são elas que norteiam o seu caráter.

Também tenho dúvidas severas se aquelas pessoas que vivem cuspindo uma “falta de tempo” que nunca termina, são realmente felizes. Sei lá, parece uma fuga. Fuga de si mesma, que não se encontrou e deseja que alguém a encontre. Gente que trabalha para mostrar que é capaz, que pode mais que os outros, que é inteligente, bem sucedido e… Triste. E pior que é um tipo que quer provar tudo a todos. Não sei para que… Eu sou uma que não me interesso por essas fachadas polidas.

Eu me interesso pelo que tem vida de verdade, pelo que é bonito por natureza, por pessoas simples, momentos simples e locais onde eu possa descalçar os pés e sentar no chão. Gosto da sonoridade de várias gargalhadas juntas, a bagunça de final de ano, o espírito de carnaval, o abraço que se dá quando um amigo conquista algo tão sonhado, ou sonha com algo que quer conquistar. A felicidade que transborda sem motivos, nua e crua.

Isso sim me alegra. E não me venha pedir que eu mande um e-mail quando quiser falar com você. Certamente não receberá. Eu me recuso a maquiar o meu melhor e oferecer apenas o bagaço.

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