Datas (des)importantes.

Esta semana descobri que todo dia cinco de setembro é “dia do irmão” e pensei:  “céus, passei vinte e sete anos da minha vida sem dar um abraço nos meus nesta data tão especial!” Nossa! Isso é um grande pecado! Eu sou muito desatenta mesmo! Deixei de comemorar um dia tão importante como esse! É como se toda a minha existência fraterna fosse por ralo abaixo! Eu sou uma péssima irmã! Imagino que vários irmãos que não se falavam há anos por brigas banais fizeram as pazes neste dia, e tantos outros que nunca abraçaram os seus, o fizeram também. E tudo voltou aos eixos novamente. A cultura nepali manda, a gente obedece!

Neste mesmo mês também descobri outra data interessante: o dia do sexo. Ah, mas esse é quase uma afronta! Ai de mim se no dia seis de setembro eu ficar sem ter uma relação íntima, com amor ou casual, com alguém que eu conheça ou com um sujeito que discutiu comigo na fila de banco. E mais uma vez é aquela correria, as farmácias vendem mais camisinhas do que um ano inteiro, os motéis faturam e os maridos satisfazem suas mulheres! Mas esse calor todo só no dia seis, hein? No dia sete, que é feriado mesmo, a coisa pode voltar a esfriar, o namorado pode voltar a não atender os telefonemas da namorada, a esposa pode voltar a vestir o velho pijama broxante durante o dia inteiro.

E o dia do solteiro, que foi comemorado dia quinze de agosto? Essa os casados não tem vez! Dia que é permitido encher a cara, beijar quem quiser e transar com quantos der vontade. Cuidado? Pra quê? É dia do solteiro, querida! Vamos nos esbaldar, gastar todo nosso pagamento em festinhas de boates e amanhã a gente dá um jeito! Parece até um dia fora do calendário, algo extraordinário!

Aí eu pergunto: pra que a criação de tanta data sem sentido? Por que as pessoas se atentam a coisas tão pequenas e sem significado? Desde quando eu preciso de um dia específico para dizer a um irmão o quanto eu o amo e o admiro? Quem supôs que o sexo (ou amor, para os apaixonados) tem que ter seu pico de tesão e importância num dia só? E ainda: por que eu tenho que comemorar por eu não ter um compromisso afetivo? Desde quando isso é prioridade? Eu não deixo de ser uma pessoa feliz por ser solteira ou casada, aliás, isso são apenas complementos da felicidade, a mesma não tem as suas raízes baseadas nisso. Não apenas nisso.

Queria entender como a massa humana passou a ter prioridades tão trocadas assim. Vão dizer que eu sou chata, que reclamo de tudo e que é apenas uma brincadeira. Podem dizer à vontade, só que são pessoas com este pensamento que conduzem o rumo de uma humanidade que se banalizou, deixou de ler, parou de se interessar por novas informações, novas tecnologias. Pessoas que simplesmente pararam por um tempo, e avançaram para rumos mais excêntricos. Passaram a viver a mercê de uma vida virtual de rede social, onde nada se explica, apenas se compartilha.

E quando resolverem inventar o “dia dos consumidores de jiló”, não me comuniquem! Isso será uma desfeita daquelas! Não quero ser obrigada a comer este legume detestável por um dia inteiro!

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