Brilho de estrela.

Estou seguindo o conselho do Caio, me afastando de tudo que me atrasa e me engana e nunca li algo que fizesse tanto sentido para mim. Fiz uma lista mental, enumerei com vários “bichos-papões” que eu preciso exterminar, pessoas que preciso deixar de lado e resolvi colocar você no número um dos meus abandonos. E acho que optei pelo começo mais difícil.

Eu venho negando notícias da minha vida a você faz muito tempo. Como se eu tivesse posto você como um caso à parte, daqueles que precisamos de silêncio, óculos e uma caneca de café fumegante para analisar. É como se você não fosse mais o meu espelho, meu reflexo feliz e sempre otimista. Não entendi muito bem a sua mudança, fora e dentro de mim, e você sabe que estudar as outras pessoas não é meu forte. Acordo e vou dormir com a sensação que nunca conheci você bem como eu imaginava, que estava ao lado de um premiado ator de Hollywood.  Alguém que usa figurino, maquiagem e traz um sorriso bobo. Bobo não, falso.

Dizem que o pior do amor é o ódio. Não penso assim. Para mim, o que fere é a indiferença mesmo, aquele desdém plástico que muita gente se utiliza quando é pego de surpresa por algo que quer, mas sabe que não está apto para conquistar. Nunca imaginei que seus olhos poderiam se retesar um dia. Tão pouco cogitei a possibilidade de sentir um coração tão adormecido e petrificado. A sensação que tenho é que você é inabalável, inatingível. Uma vidraça blindada. Um monge tibetano às avessas, que ao invés da luz, traz o breu dentro de si e não consegue aconselhar. Água parada, praia vazia. Deixou de ser o que eu sinto ao chegar perto e passou a ser o que vejo de longe.

Mas, tudo bem. A minha vida está seguindo. Pra onde ela vai, eu ainda não sei, eu só não quero algo que machuque meus pés ao longo da via. Só sei que a cena é engraçada: eu fingindo que estou bem à beça, e você deixando claro que não se importa. Mas quando a maré de emoções acalma, eu me pergunto: o que o tempo fez com nós dois? Entendi com todas as letras que ele me ensina a cada dia o significado de uma saudade inepta. Mas e você?  O que a vida te expõe? Nada. Até mesmo porque você não presta atenção, está muito ocupado se afastando, se aniquilando, se afunilando e desintegrando.

E eu sigo assim: repudiando sorrisos, descartando lembranças a você, impugnando encontros, abdicando conversas e posso dizer que nunca soube usar um “não” com tanta maestria como tenho feito nesses últimos dias. Olho suas fotos e tento pensar que você é um “João Ninguém” conhecido, daqueles que cumprimentam com um “oi” banal na rua. Compadeço-me de sua solidão em pleno sábado à noite, que você garante que é badalado, mas que no fundo é solitário e é inevitável cogitar que podíamos unir isso, mas prefiro tratar o meu emocional com dignidade e rejeito sua presença, optando por um livro. Viro tantas páginas dele, mas as da minha vida que são necessárias virar eu não consigo, são rígidas demais para isso.

Mas está tudo bem. Hoje eu consigo ver você como uma estrela bem distante, perdida no céu, brilhando para nada e que eu não tenho vontade de fechar os olhos e fazer um pedido. Nada que eu te peça a esta altura vai funcionar. E eu não sei ao certo se preciso disso agora. Apenas um ponto brilhante que está tão alto, mas que se sente tão abaixo de tudo. Pode ficar tranquilo, eu não vou te pedir coisa alguma, nem vou observar a noite inteira porque isso aconteceria tarde demais.  Fique: você aí, eu aqui. Eu amo estrelas. Amo mesmo.

Acho que a arte de silenciar é essa mesmo: transformar em estrela tudo o que está longe de nós, mas que brilha dentro da gente.

 

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