O que aprendi com os peixes.

Chego em casa e recebo uma triste notícia: um dos meus peixes morreu. Ele, que atendia (se é que posso dizer isso) à alcunha de Gregório, era o mais tranquilo, o mais “educado” dos dois. E foi comprado por mim com uma missão: alegrar a vida do nosso pobre Baltazar, o peixe mais antigo que nadava tristonho, sentindo falta de uma companhia. Lembro que quando colocamos o Gregório no aquário, ele ficava o tempo todo ao lado do outro peixe, nadava pelo aquário e voltava a ficar do lado dele, no fundo. Não saía de perto um momento sequer.

Até que Baltazar voltou a ficar alegre e os dois brincavam juntos. Eu ria, porque sempre um queria chamar mais atenção que o outro (e não achem que eu sou louca, pois isso acontecia mesmo, uma mãe nunca se engana). Era divertido vê-los fazer bagunça.

De uns tempos para cá, comecei a perceber que Gregório não brincava mais. Ficava isolado, num canto, mal se alimentava. Depois percebi que ele estava com um dos olhos machucado, que acabou se curando como mágica. Depois disso, ele não voltou mais a ser o mesmo.  Chegamos a uma triste conclusão: o peixe mais antigo, O Baltazar, estava maltratando ele, só porque não aceitava ter mais um peixe em seu espaço.

Parece história para crianças, não é? Mas não. Isso acontece no mundo dos humanos adultos também.

Algumas pessoas tem a dificuldade de aceitar o novo, o diferente, aquele que muitas vezes chega para acrescentar, mas é repelido e hostilizado. Pessoas que tem dificuldade de dividir espaço, compartilhar vida, entender o limite do próximo, até onde os pés podem ir não aceitam aqueles que chegam para mudar, para trazer mais alegria, para somar (mesmo que seja de uma forma pequena e indireta). Tem gente que tem o egoísmo preso à essência, que quer abraçar o mundo com braços enfermos (já que ele  é a maior doença de todas). Gente que não sabe sorrir com as novidades que a vida proporciona, não conseguem partilhar sorrisos.

Tem gente que não sabe amar.

Gente que não sabe oferecer o que tem de melhor.

Pessoas que não conseguem dividir o pouco que tem.

Seres humanos dotados de desumanidade.

Alguéns que vivem sem ninguéns…

Sei de cór onde este roteiro termina: numa solidão fria, no fundo de um aquário.

Eu jamais pensei que pudesse aprender tanto com um peixe.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s