Escultura.

Nas tuas mãos sou argila trabalhada

Amassada, crua e vulnerável

Boca sedenta de beijos em lua apagada

Molde imperfeito do que já foi apresentável.

 

Sou resoluta nos sentidos mais amplos do querer

Um pedaço inacabado de formas de compreensão

Emaranhado de bagunça mental e pendências a resolver

Como um punhado de folhas em branco rasgadas na palma da mão.

 

Sou um bicho medroso, descrente e desconfiado

Que repara à luz das frestas a vida que corre no lado de fora

Uma parte humana que guarda um ser complicado

E que vive lamentando a hora de ir embora.

 

Sou daqueles vasos sem flor

Largado no beiral da janela aberta

Vivendo de esperança do seu regar molhado de amor

Que de tanto aguardar, desperta.

 

Em tuas mãos sou boba coleção de sonhos

Sou branca, tênue e faminta de suas pulsações

És meu, leve, natural e risonho

Sou tua, teu teorema, teu problema, tuas desilusões.

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