O natal que eu conheço.

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Embora as luzes estejam piscando na cidade inteira, nas árvores de natal e nas fachadas das casas com um encanto bem familiar de Dezembro, Natal traz para mim duas sensações com as quais eu não sei lidar bem: tristeza e saudade. Vai chegando a época e meu coração fica meio apertado, envolvendo-se por recordações.

Pasmem, mas eu acreditei em Papai Noel até os doze anos. Para mim era algo mágico acordar e ter um presente no quintal de casa, bem em frente à janela do quarto que eu dormia. Não pensem que eu era completamente boba, não suspirava por qualquer homem fantasiado de vermelho não. Papai Noel para mim só tinha graça se eu não pudesse ver, como aquele que me presenteava todas as noites do dia vinte e cinco de dezembro. Depois de doze anos passados, flagrei um tio meu colocando o presente no mesmo lugar de sempre e então caiu minha ficha. A magia de natal havia acabado para mim naquele momento. Ainda posso sentir o cheiro enjoativo daquele último presente, uma sandália de plástico da Xuxa.

E com as recordações do presente, me vem à cabeça parcas lembranças do dia de natal e preparativos. Tios chegando, primos se reunindo e a felicidade da matriarca da família que se orgulhava em ver toda a prole reunida. Era divertido, quente e mágico: o cheiro das comidas sendo preparadas, a expectativa do amigo oculto, os abraços, o vinho derramado no chão. A casa estava sempre cheia e animada.  A verdade é que a gente só tem natal de verdade quando se é criança. Depois que crescemos, o encanto se perde. Passa a ser apenas um almoço em família.

E, ao mesmo tempo, penso em quantas crianças queriam ter uma família reunida à mesa para comer e não podem. Penso no dia vinte e cinco de crianças nos orfanatos, hospitais e até mesmo aquelas de rua, que vemos tentando sobreviver dia após dia. Isso me dá um nó no estômago, que queima tudo por dentro. Vejo seus olhos tão vazios de momentos para recordar que me dá um arrependimento por achar que eu tive vinte e sete natais tristes. Tristes? Vida, dê-me um tapa na cara para eu acordar! Realmente não sei o que é tristeza.

Natal para mim é época de acolher, recolher os cacos e fazer da reciclagem uma obra prima. É rever, avaliar, repensar e colocar tudo em pratos limpos com as suas emoções. Jogar as mágoas no lixo emocional e torcer para o próximo ano viver de amores. Lembrar que o amor maior foi daquele que se sacrificou por nós e que nasceu neste dia para salvar a humanidade. E que podemos nos salvar a cada dia, perdoando, amando e sendo feliz!

A gente troca presente, mas esquece de trocar abraços, beijos, bilhetes de carinho, cartas de amor, trocar uma vida triste por uma alegria estampada no rosto, trocar boas palavras e sentimentos, trocar as pessoas que não acrescentam por amigos que torcem por nós. Esquecemos de trocar as atitudes e costumes ruins pelos bons hábitos, pelo bom dia animado ao invés de mal humorado. Esquecemos que a vida não é só natal e ano novo. É um ano inteiro.

Eu não como panetone. Acho o cheiro ruim e o gosto pior ainda. Mas desde que ouvi uma criança de rua em frente ao supermercado dizer que o sonho era comer um “pãotoni”, passei a ter vergonha de confessar isso. Sinto-me ridícula com a minha porção humana e falha.

Acho que Natal é isso: resgatar o que é de humano dentro do coração.

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