Mais amor, por favor.

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Fui surpreendida por uma briga entre dois homens perto da minha casa: um era mendigo e o outro, dono de uma pastelaria. Na hora que avistei o tumulto de longe, tive vontade de voltar e pegar outro caminho, mas não consegui. Travei e fiquei mais perplexa ao entender o real motivo daquele fuzuê. O andarilho reclamava que o dono da pastelaria negou-lhe um copo de água. O dono da pastelaria, por sua vez, tinha uma faca em punho e tentava a todo custo partir para o ataque contra aquele senhor esquálido, sujo e infinitamente inferior (financeira e emocionalmente) a ele. Inferior somente nesses aspectos, porque intelectualmente falando, ele estava muito acima.

Eu fico impressionada com o rumo que este mundo está tomando. A cada dia que passa, cada noite e dia transcorridos, a impressão que tenho é que o retorno disso tudo é esquecido pelas pessoas. Elas querem acelerar, correr, defender com unhas e dentes as coisas possuídas, humilhar e pisar nas pessoas como se fossem um tapete de loja barata. Acho que nem um tapete persa é tratado com tanto desdém como aquele homem foi.

Sempre respeitei o menos favorecidos. Cada ser daquele que dorme nas ruas e cata o que jogamos com repulsa no lixo tem uma história, conquistas e fracassos, uma árvore genealógica e uma linha cronológica. Ao contrário do que muita gente pensa, o tempo para eles não parou; até estar esmolando atenção, comida, dinheiro ou água é uma experiência na vida deles. Já nasceram de alguma mulher, tiveram uma família, um trabalho. Não são vazios, ocos de lembranças. Eles existem mais do que qualquer um de nós!

E então eu pergunto: onde está todo esse amor que as pessoas dizem viver? Onde está toda essa benevolência, caridade e bondade que são aclamadas nos púlpitos dos templos, igrejas, nas conversas familiares e nos ensinamentos deixados de pais para filhos? Existe muito rótulo, muita embalagem para um sentimento tão cristalino. Para algumas pessoas, amor é só ter alguém com quem dividir as cobertas, sendo do sexo oposto ou não. Enchem a boca para falar de um sentimento, quando só o mastigam, cuspindo logo em seguida, como caroços de uma fruta apreciada por um momento.

Tanta gente pelo mundo querendo falar outros idiomas e não sabem expressar sinceramente esta linguagem universal.

Passam pela vida como folhas em branco. Apenas isso.

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