Cafeína descartável.

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Meu querido e distante amigo reclamou comigo esta semana sobre um sócio que não estava dedicando seus neurônios para o bem da empresa. Outra amiga desabafou sobre a colega de trabalho, que não respeitava seu espaço na hora de exercer suas atividades, dando puxadinhas de tapete de vez em quando. Minha prima não gostou de ter sido chamada para trabalhar antes do término de suas férias, mesmo tendo o mérito de ser uma boa funcionária e amando seu trabalho. Eu  não gosto de passar oito horas do meu dia numa sala sem janelas, impedida de ver o tempo, olhar para o céu e divagar. Vamos combinar que esses tópicos são bem comuns. Cada um tem seu calcanhar de Aquiles quando o assunto é trabalho.

Tem até gente que é viciada em ter a mente ocupada vinte e quatro horas por dia com as pendências profissionais. Passam o almoço repassando mentalmente uma lista de intermináveis tarefas e vão dormir já preparando o script do próximo dia. Bato palmas para esses workaholic, que adoram respirar e transpirar deveres, sem direito a pausa. Aplaudo mesmo, e penso: deve ser legal terminar o dia com o peito estufado com a sensação de missão cumprida.

Pena que, quando ele gira a maçaneta e entra em casa, encontra um breu silencioso. A família já se recolheu, os filhos estão no  vigésimo sono e tudo que podem fazer é murmurar um “boa noite” gélido. Ou pior: até aqueles que não são viciados em trabalho, mas que levam o trabalho para casa dentro da cabeça cansada, o mau humor do chefe irritado para mesa de jantar, a fofoca de corredor para cama e azeda o fim do dia.  E vamos combinar: de azedume, o mundo tá cheio.

Ok, acho legal essa coisa de responsabilidade, de fazer planos e cumprir metas pessoais, se sacrificar um pouco (ou bastante) para comprar aquele carro, a tão sonhada casa na praia, viajar pro exterior e juntar uma grana para abrir o próprio negócio. Acho bonito, digno e necessário, além da experiência trocada, conhecimentos adquiridos e tudo mais. É o trabalho que te acorda às seis que vai garantir o pão na mesa do café da manhã, comprar a última moda e alguns confortos ao qual nos dispomos.Ele não é “o”, e sim “um meio de”.

Então desapegue: não caia na tolice de trocar as mais genuínas alegrias da vida por uma hora extra. Entenda: não é o seu trabalho que vai te levar para conhecer lugares legais, não dormirá de conchinha todas as noites, não perguntará como foi seu dia, não contará piadas até você perder o fôlego de tanto rir, não ensinará o segredo daquela receita e certamente não pedirá para você brincar de bola com ele no quintal. Então não se deixe levar pela obsessão e saiba equilibrar as medidas. Nesse jogo, ninguém perde ou ganha, mas sim acrescenta e completa.

Trabalho, nada mais é que um modo de aprender e sobreviver.

Viver, hein? Não apenas existir!

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3 comentários sobre “Cafeína descartável.

  1. Era td que eu precisava hj! Arrasada por “ineficiências”…
    Preciso me organizar para funcionar, e ao tranacra aporta do serviço, desapegar!
    Otima leitura!

  2. Era td que eu precisava hj! Arrasada por “ineficiências”…
    Preciso me organizar para funcionar, e ao trancar a porta do serviço, desapegar!
    Otima leitura!

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