Senhora dos Absurdos

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Nessa crônica, eu vou direto ao ponto: não gosto de gente boazinha demais. Não confio em pessoas que sorriem o dia inteiro, que chamam os outros de amor ou de amiga, que querem sempre ajudar. Não gosto, não confio e não me desce. Essas são as cartas marcadas, os dados que manipulam o jogo. Não levo para minha vida e não me deixo contaminar por elas. Meu feeling sempre me desperta: essas são as pessoas mais capazes de cometer absurdos.

E vamos combinar: de lobo se passando por cordeiro o mundo está lotado. E isso vem de anos. Ou vocês acham que nosso querido Chaplin era cem por cento nobre? Que pessoa seria capaz de servir o próprio cachorro como prato principal numa ceia de natal? A-há! Não disse? Isso, confie em palavras bonitas e pensamentos filosóficos para ver o que te acontece. Tadinho do cachorro, certamente tinha mais valores que ele.

Vamos falar de injustiça: eu não suporto. Acho a atitude mais baixa pela qual um ser humano pode optar. Sim, porque a injustiça é uma opção, assim como amar e respeitar também são. É o lado errado da moeda que alguns escolhem.  Você acha que quem pratica a injustiça tem escrúpulos e valores? Não! Repito: não se iluda com rostinhos felizes. Há muita fachada linda para esconder um interior em ruínas.

Esta semana eu conheci uma senhora, nem tão senhora assim, mas que sua atitude me lembra (e muito) aquelas bruxas narigudas de desenhos animados da Disney e seus caldeirões com poções do mal. Ela tem nome, mas prefiro chamá-la de Senhora dos Absurdos, uma alcunha artística para alguém que sabe representar tão bem. E, desculpe-me Paulo Gustavo por pegar emprestado seu personagem humorístico, mas não tem classificação melhor que essa: a sua é do bem. Já a minha…

Ela, que é tão boazinha, comportadinha, engraçadinha e tantos “inhas” mais, tem problemas de autoestima e de estima pelo próximo.  Se diz tão temente a Deus, mas não tem medo das próprias consequências que suas atitudes podem causar. Isso! O lema é esse: CAUSAR, e não importa se for espanto, desprezo e nojo, o legal é vencer pelo show bizarro, pelo grito.  Ela, que sempre dá uma de Thereza Cristina, empurrando os outros pelas escadas, adora uma puxadinha de tapete para alegrar seu dia. Essa semana, alguém ousou ofuscar seus quinze minutos de popularidade vazia e perdeu o rebolado, o emprego e tantos sonhos que tinha. Claro, a Senhora dos Absurdos é sempre a melhor, a mais bonita, a mais inteligente, se maquiando para esperar um príncipe encantado que se chegar, perderá todo o encanto por ela. Arrota frases de livros de autoajuda e se acha a soberana. Aliás, acho que deveriam prender os autores dos livros que ela lê. Que psicologia reversa é essa?

Para mim, seria mais fácil ter pena dos injustiçados. Mas esses são da luz. Tropeçam, levantam, analisam as feridas e seguem. O que me preocupa  são os injustos. São como discos de vinil arranhados: não evoluem, ricocheteiam nos mesmos erros e empacam na mesma tacanhice de se acharem superiores.  Desculpem a expressão chula, mas são superiores de merda!

O meu desabafo encontrou um espaço onde a poesia me acorda para a realidade: esse é o mundo fictício, Aryane! Seu mundo é de amor e paz! É só uma história de terror! Cubra a cabeça com o cobertor e não veja.

Mas vejo. Sinto e reflito como uma boba: meu medo não são as bruxas. Temo pelo dia que o amor e respeito entrarem em liquidação.

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4 comentários sobre “Senhora dos Absurdos

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