Pra que te quero?

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Eu me fiz essa pergunta hoje de manhã, ao escovar os dentes. E com a boca cheia de espuma, olhei para o espelho, tentando achar resposta. Dormi pensando, acordei disposta a encontra-la, nem que para isso eu precise deixar meu pensamento voar por aí. Mesmo que eu tenha que me desconectar, me auto-abduzir, me sugar de reflexões, eu necessito entender o que é essa fixação tão intensa que me prende a você.

Eu não te quero pra me servir, você não é objeto, nem empregado das minhas emoções. Te quero para caber em mim, encaixar, acoplar em algum espaço do meu ser. Para completar, sem transbordar ou sobrar. Mais precisamente para somar, em algum aspecto, ou em todos. Para participar, fazer a festa, cumprir seu papel com vontade.

Eu te quero para ser real, não para virar saudade. Já basta as que eu carrego no peito e que de vez em quando, espetam para que eu acorde. Quero seus pés no meu chão, sua mão na minha e todas essas bobeiras que  dizemos quando amamos alguém. Essas pieguices que a boca trava, mas a escrita deixa correr solto.

Quero você junto para ver o sol iluminar a janela do quarto bagunçado e deixar que ele nos flagre despenteados e amarrotados. Para que meus cinco minutinhos sejam negados com cócegas. Para que meu mau humor se desintegre antes das dez da manhã.

Quero você para compartilhar as considerações de longa-metragens, livros e notícias populares. Para me alertar sobre o óbvio. Para me trazer o trivial de um jeito só seu. Para me acompanhar nas andanças da vida. Para amar o mar como eu amo e se jogar nele, como eu sempre faço.

Se eu te quero, é por sintonia. Por amor ou sorte, por acaso ou descuido do meu coração. Por algum motivo que me empuxa e faz de você morada preferida. Para me dar significado, razão, consistência. Para ser lento na preguiça de domingo. Para ser faminto quando meu corpo pedir.

Eu te quero como a risada mais gostosa que Ivan Lins canta. Ser avesso admirado, lado da moeda que eu não conheço. Para desbravar mundos, degustar felicidades bobinhas, para estourar bolinhas de sabão e invejar a leveza delas. Para fazer buracos na areia, para fazer caretas no reflexo da vidraça, para me pegar pela cintura e me rodar no ar.

Para me olhar. Sim, te quero para me ler assim, crua, desprovida de ensaio. Para interpretar minhas entrelinhas, meus acessos de raiva, para domar a leoa que ameaça atacar em dias certos do mês. Para eu fazer cafuné, quando o filme em casa for chato, para beijar muito quando o cinema fica grande demais para nós dois.

Quero você. Apenas você. Que não sabe, mas que já me conhece tanto. Que eu nem sei, mas que desejo muito antes. Quero partes suas em mim, fios de cabelos seus perdidos em meu corpo, meu perfume adocicado na sua roupa, minha paixão na sua vida.

É para isso que eu te quero. Para ser meu.

 

Aryane Silva

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