Hoje.

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Hoje eu quero meu canto. Ficar sozinha, já que sinto que alguma coisa não está dando certo, embora eu tenha começado o dia ganhando um livro de presente, coisa que sempre me alegra muito. Preciso deitar e olhar para o teto branco, que não me dirá nada, eu sei, mas que representa muito em dias que estou assim.

Só de sacudir a perna (mania essa que não tenho) já sei que há algo me irritando por dentro, machucando, incomodando, como etiqueta em roupa nova: eu arranco todas. Vou arrancar esta sensação também e sossegar as pernas, prometo.

Hoje eu iria ver o mar, dar aquele abraço demorado em um amigo que amo e não vejo há mais de dez anos, passar a madrugada rindo e andar pela orla. Mas desisti. E com essa desistência reduzi meu espírito ao medo de não ficar bem, de não ser boa companhia. Medo do ônibus fechado. Medo do túnel na Niemeyer. Medo de assalto. Medo… medo… MEDO!

Eu queria ter um dia diferente, mas hoje eu quero que ele seja igual, exatamente como todos são. Eu não estou em mim e respeito essa minha bipolaridade de não me encontrar às vezes. Por hoje, o corpo é o que menos importa, eu necessito mesmo olhar pro que remexe aqui dentro, uma fome de coisas que estão diante dos meus olhos, mas distante das mãos covardes. Passei a entender minhas limitações no momento que percebi que a minha tristeza interna é uma mera cobrança, um puxão de orelha da vida.

Hoje eu preciso terminar o livro do Paulo Coelho e marcar os trechos mais bonitos, comer o que tiver vontade, desconectar, dormir um pouco (já que não tenho dormido nada ultimamente), ver filmes interessantes, observar o passarinho na janela que é irritante, mas que eu sei que fala alguma coisa ao meu coração com sua visita, ver programas de culinária na tevê. Hoje eu preciso de mim, como uma criança precisa de colo. E só eu posso fazer isso.

Não quero correr, não posso desejar o que está fora: tenho que organizar a bagunça que está dentro. Encaixar as peças de forma correta, chorar se for preciso, cansar até, mas mudar. Eu não quero essa mudança que grita, que esfregamos na cara dos outros e sim a que se nota, silenciosamente.

Já não sou aquela boba de antes, nem tão descrente como deveria, mas o equilíbrio ainda me falta para o “meu cavalo andar”. A cabeça de homem, prática que só, deu lugar ao coração de mocinha, que senta no degrau e chora as pitangas, sem saber como resolver equações simples de uma matemática que a vida impôs. Sou criança que lamenta ter quebrado o brinquedo. Sou mulher que não sabe mais brincar.

O que sei é que não vou me adaptar, mesmo que isso leva algum tempo chato e demorado. Não quero me acostumar, fazer algo forçado, fingir. Se é para lamentar, que seja, mas só por hoje. Amanhã que meus sentimentos estejam alinhados e prontos para o recomeço.

Amanhã.

Porque hoje eu tenho posse de mim.
Aryane Silva

 

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