Jogo do contente

pollyanna

 

Estou lendo o livro Pollyanna, de Eleonor H. Porter. Para os desavisados (como eu), não se trata de um enredo infantil não, apesar do personagem principal ser uma criança de onze anos, loira de sardas. Foi a indicação de uma amiga de infância, o que para mim já é de grande valor. E parece que ela estava adivinhando que eu precisava ler isso.

O livro conta a história da menina Pollyanna, que perdera os pais e foi morar numa espécie de orfanato. Seu pai, um reverendo, ensinou-lhe o “jogo do contente”, que consistia em sempre ver o lado positivo das pessoas. Quando foi morar com sua tia, irmão de sua mãe, ela colocou seu ensinamento em prática com aqueles que moravam na mansão. Até a parte que eu li, ela só colocou em prática mesmo, não sei ainda se ela teve sucesso.

Achei incrível uma parte da história, onde ela explica à empregada da casa como era esse jogo. Disse que certa vez havia pedido uma boneca de presente para o pai, mas quando chegaram as doações da igreja, ao invés de receber uma boneca, recebera um par de muletas. Quando Pollyanna viu e pensou em ficar triste, o reverendo disse para ela não ficar assim, pois graças a Deus não precisava delas, o que era uma coisa boa. E dali em diante, ela aprendeu a colocar esse ensinamento em prática nas pequenas coisas do dia a dia, sempre procurando motivos para ficar contente.

É impressionante como certas palavras ou situações podem nos tocar tão profundamente. Estamos em época de profunda reflexão, onde encerramos mais um ciclo para iniciar outro. Eu não sou desse grupo não, minha reflexão é a cada minuto, chega a ser chato. Penso demais, sinto demais, sou saudosista até o último fio de cabelo. Nesse período de fim de ano eu fico mais, até porque o ano de 2013 não foi um dos mais leves que vivi.

Como a gente despende energia boa com coisa pequena e sem importância. Perdemos noites em claro com amores que não deram certo, enquanto tanta gente queria ter um coração apto para isso e não consegue. Perdemos a fome por causa de problemas no trabalho, enquanto pessoas no mundo inteiro a acham diariamente e não conseguem saciá-la. Reclamamos da chuva nos fins de semana, enquanto pessoas no sertão sonham com a chegada dela.  Vemos sempre o copo meio vazio, quando ele está meio cheio.

É preciso parar e olhar para a vida. Ela tem dos lados. Aliás, tudo tem dois lados, até o lado direito tem seu avesso. Nada é tão único a ponto de não poder ser “desvirado”. Todo dia há algum momento em que podemos transformar a dor em bem estar, a tristeza em alegria, a saudade em companhia. Dentre as vinte e quatro horas, mesmo que seja só por um segundo, há sempre um instante que nos faça sorrir, ter esperanças, criar forças. É só observar, parar de procurar algo além, quando em muitos casos, essas pequenas gotas de ânimo estão perto de nós.

Não espere a meia noite do dia trinta e um de dezembro para fazer as pazes com a existência, com essa caminhada que sempre nos dá chance de recomeço. Se não foi bom agora, será depois, basta ter fé e força. Mesmo que sejam pequenas mudanças, um passo de cada vez, um olhar rápido pela janela, faça algo para que seu dia valha a pena.

Se é para ser contente, que seja agora.

Aperte o play e vamos todos brincar juntos!

 

Aryane Silva

 

 

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2 comentários sobre “Jogo do contente

  1. Aryane, acabo de apertar o play. Essa postagem caiu como uma luva para mim. Eu já lí o livro e assisti o filme, mas faz um tempo. Foi ótima a sua idéia de ler. Eu também vou reler. Quando li o título jogo do contente, já me lembrei do livro.
    Querida Aryane, valeu a sua dica!
    Um beijo,
    Manoel

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