As formas de amor que eu conheço

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Amor é um assunto que nunca sai de moda, mas eu tenho percebido um certo exagero (e até mesmo uma plasticidade) em declamações sobre ele. As pessoas falam com a boca cheia de preguiça e como eu disse uma vez, amar requer vontade, dá trabalho. Não é todo mundo que está disposto.

Um “eu te amo” também não me seduz. Eu tenho visto tanto isso, na rede social ou fora dela, que essas três palavrinhas, antes mágicas, se tornaram quase um cumprimento, casual e habitual. Muita gente fala e escreve, mas não sente. Ou quando sente, limitam este sentimento inteiriço, em reles farelos, como se só existisse para aprimorar uma atração física. E a atração pela vida? Alguém se lembra?

Eu conheço o amor de umas formas bem simples, que me cativam de um jeito pleno. Aprendi com as cabeçadas sentimentais que dei com amores não correspondidos, que ele pode ultrapassar essas barreiras rotuladas. É muito mais que isso.

Amor, para mim, é uma amiga de outra cidade ficar numa fila durante duas horas e meia para comprar um livro com dedicatória do meu escritor favorito. É ter outra que sumiu, mas que reapareceu e me mostra o quanto eu sou importante, com carinho e atenção.

É quando uma flor prende a minha rala atenção e me faz passar um dia inteiro buscando informações sobre ela na internet, mesmo que depois eu descubra que ela só nasce nas Bahamas.

Amor é quando eu me dou ao luxo de matar meus prazeres de felicidade, sendo ele gastronômico, visual ou literário.

Ou quando eu passo um tempo conversando com uma irmã sobre meu corte de cabelo, mantendo um “papo de mulherzinha” que não me agrada, mas que é ponte naquele momento.

Quando um abraço me emociona e é capaz de me tirar a fala.

Muitas vezes o amor aparece nos filhotes da gata da rua que dá cria quase sempre, na criança que me chama de “tia”, mesmo eu sendo apenas uma das pessoas na fila, nas pipas do céu que me irritam nessa época do ano, mas que me faz lembrar de férias e rostos felizes de menino na rua.

É amor para mim quando recebo um elogio desinteressado, quando valorizam meu trabalho ou até quando sou esquecida (para se esquecer, um dia se pensou muito, então nesse tempo fui amada de alguma forma).

Nos parentes que não são meus, mas que me tratam como neta, filha, prima.

É amor quando alguém lembra de mim quando ouve Vercilo, quando uma célebre frase de um escritor famoso me descreve e é transcrita para mim por e-mail, quando um “ai que saudades” torna meu dia mais alegre.

Então, vamos combinar o seguinte: que o amor não se resuma numa frase comercial, mas que se torne essencial.

 

Aryane Silva

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