Memória literária

Menina-na-livraria

 

Enquanto passava um café agora, não sei porque, lembrei de uma atendente da livraria Saraiva do Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro. Recordo do rosto dela como se estivesse na minha frente nesse exato momento: morena, magra, cabelos curtos, estilo Halle Berry. Entrei na loja, no final do expediente, estava acompanhada da minha amiga Kátia (se não me engano e sei que ela não vai lembrar), já esperando grosseria ou má vontade da menina, já que era final de dia e a livraria estava cheia.

Tomei um belo tapa na cara e vivi uma das experiências mais encantadoras da minha vida. Além de nos atender com aquele sorriso no rosto (não o plástico e sim o natural), a mulher sacava tudo de livros. T U D O! Eu me senti um grãozinho de areia perto dela. Sabia os autores, do que cada livro falava, que outro livro o mesmo autor escreveu, em que ano, se foi premiado ou não. Eu fiquei perplexa com a sabedoria dela, mesmo eu já tendo lido uns 200 títulos pela vida (acho que chega a isso).

De propósito, toda hora eu pegava um, ela consultava o preço e dizia do que se tratava a história. Queria ver até onde ia aquele conhecimento todo. INFINITO, gente! Juro! Ela já estava começando a me cansar positivamente, ela sabia tudo. Até que pedi uma indicação. Ela foi até uma salinha e voltou com o livro Para Francisco, de Cris Guerra. Livro fininho, com capa sem graça, escritora desconhecida (por mim, tá?). Ela olhou bem para mim e disse: – Leva, esse é para você.

Cheguei em casa com o livro, meio ressabiada, confesso. No prefácio, já me emocionei. Li a segunda, a terceira, a quarta página e a cada capítulo, meu coração derramava um pouquinho. Até que comecei a chorar, sem perceber, nos lugares mais inusitados. O tal Francisco do livro virou meu filho, passei a ter amor, carinho, dedicação, tudo por ele. A Cris, virou exemplo de doçura, bravura e saudade recolhida. E eu me apaixonei até o último fio de cabelo pelo livro, que é de uma sensibilidade tamanha e fala muito de mim. Nem vou contar sobre o que é, para que vocês tenham a surpresa inenarrável que foi para mim.

Encerrei o livro três dias depois de ter começado a ler, tendo uma crise de choro dentro do trem, voltando para casa, passando pela estação do Engenho Novo. Todo mundo olhando para minha cara, uns com pena, outros curiosos, tentando ler a capa para ver qual o livro, outros me oferecendo água. Nunca senti emoção tão forte.

Ao fechar o livro, pensei: um dia ainda quero escrever algo que cause essa emoção nas pessoas. E vou trabalhar por isso.

Eis-me aqui, não causando esse tipo de emoção ainda, mas determinada.

E digo mais: se não fosse aquela atendente da Saraiva, eu não teria a percepção tão aflorada como tenho hoje.

Quando eu lançar meu livro, faço questão de presenteá-la com um em mãos. Isso é, se ela ainda trabalhar lá. Que aproveitem seus conhecimentos!

Aryane Silva

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3 comentários sobre “Memória literária

  1. Aryane, amiga querida. Eu já tive facebook e por uma fatalidade tive meus “alfarrábios” invadidos e “agredidos”. Por essa experiência eu perdi um blog do blogger e um e-mail, além de ter que formatar meu micro. Isso aconteceu do nada. Foi como um sorteio de loteria. Alguém resolveu entrar em meus arquivos (que não tinham nada de importante para terceiros) e me atrapalhou bastante. Mandou e-mails para todos de minha lista de contatos e um monte de outras coisas. Como eu trabalho com informática descobri que a porta de entrada foi o facebook, então evito usar o face e tudo que esteja ligado ao Blogger ou Google porque são muito vulneráveis. Então eu prefiro não arriscar.
    De vez em quando dou uma “cutucada”em você pelo Twitter, kkk!
    Um beijo,
    Manô

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