Saber esperar

Adrian is My nameMinha prima Mariana Guarilha, que também é escritora, escreveu o livro Saber esperar, que narra a sua visão em relação aos comportamentos humanos no que diz respeito a relacionamentos. Ela, que esperava há anos um grande amor, levou esse tempo de reflexão e recolhimento para escrevê-lo, depois de alguns relacionamentos desfeitos. No livro, ela fala do que a mulher sente, como ela o faz e o que espera da vida sentimental, desde pequena (quando a sociedade impõe uma série de regras) até a vida adulta (quando ela passa a mandar em seu próprio destino).

Eu acompanhei de perto a elaboração desse livro, que sempre foi seu sonho. Fui a primeira pessoa que leu o original, até mesmo depois das modificações sugeridas pela editora. Sempre que conversávamos por telefone (atualmente moramos em cidades diferentes), ela me falava do livro e o quanto aquele tempo estava sendo proveitoso para ela, que deixou a ansiedade de lado e passou a entender os movimentos da vida. Quando questionei o porquê desse tema, ela respondeu: – Prima, um dia esse livro será lançado como encerramento desse ciclo de espera. E assim aconteceu, exatamente como ela pretendia. Anos depois, ela conheceu o Fabrício, seu atual namorado e futuro marido.

Na verdade, quando peguei o notebook para escrever essa crônica, não tinha em mente escrever sobre relacionamentos. Eu estava pensando na morte da bezerra e meio insatisfeita com alguns acontecimentos pessoais e familiares. Olhei para a capa do livro que está na minha estante e o título, escrito em vermelho, me surgiu como uma resposta divina. Como se alguém, lá do Alto, sussurrasse em meu ouvido para eu ter calma, que tudo se encaixaria da forma certa.

Eu, como meus amigos íntimos sabem, sou uma pessoa que acredita muito na força da Vida, não aquela que traz a gente organicamente para uma existência física. Acredito que há algo maior que o simples acordar, comer, trabalhar e voltar a dormir. E como toda pessoa ingrata, também desacredito, chuto mesas e bato portas, cheia de impaciência quando as coisas não acontecem do jeito ou quando eu quero.

Preciso aprender a esperar. Afrouxar o nó na garganta que se aperta de acordo com as expectativas. Ignorar o relógio e parar de comparar o meu caminhar com o do outro. Entender que a maior parte das conquistas ou dos fracassos está em minhas mãos e eu tenho o poder sobre isso. Deixar de sofrer por aqueles que não merecem nem o meu pensamento. Acreditar que eu estou nesse mundo para ser assertiva e bem-sucedida e aproveitar a oportunidade que eu tenho e fazer isso acontecer. Saber que um dia é da caça e outro do caçador, mesmo que para isso haja um intervalo imprevisível e mais demorado que eu imaginava. E o mais importante: entender que eu nunca terei coisas se eu não estiver pronta para recebê-las e que, para isso, a paciência é uma escola muito eficaz e que ensina muito.

Como Vercilo diz em uma de suas músicas, “cedo ou tarde, toda espera tem seu fim”.

E eu espero o meu.

Ah, como espero.

Aryane Silva

IMAGEM: Adrian, is my name.

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