Do que o vento leva e o tempo mantém

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Parece que foi ontem:

o olhar perdido, tentando ser sério, mas parecendo nervoso,

as poucas palavras trocadas de início e a intimidade oculta em gostos musicais comuns

e os clichês que descreviam o clima que escorria pela janela do carro, tão óbvio quanto a chuva.

As mãos, que não tinham lugar.

O perfume que eu até hoje tento saber qual é.

As dificuldades quase divididas e dores quase desabafadas.

Hoje tudo me vem como um borrão do meu medo.

Medo de me jogar, medo de cair de uma altura considerável, em uma profundidade infinita.

Mesmo assim, eu caí.

Como criança que está aprendendo a andar.

Como gente que procura um amor, mas ainda não sabe amar.

Como alguém que olha pela janela e se conecta com o outro.

Eu queria estar aí e segurar sua mão.

Escutar você falar o que os outros não tem paciência de fazê-lo.

Te fazer rir, sem saber uma piada sequer.

E te falar que a vida bate, mas ensina.

Que nenhuma dor dura para sempre.

Que a felicidade está nas pequenas coisas.

E que eu sinto vontade de te ver de novo.

Em nós, a vida imita a arte, usando personagens medíocres.

Somos fantoches a mercê dos acontecimentos.

Poeira de sentimentos.

Aryane Silva

IMAGEM: Michelle Fennel

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