In memorian

Na semana passada, enquanto tomava café da manhã, recebi uma notícia triste: o coordenador da minha faculdade havia morrido. Na hora, não consegui processar muito bem a notícia, porque era difícil acreditar naquilo. Na minha cabeça surgiam perguntas e porquês que eu não conseguia responder. Terminei de comer, mas aquela refeição não me caiu bem. Minha mente me transportava à última vez que nos vimos, no dia anterior.

Lembro de cada detalhe. Neste dia, depois de tanto procurar, consegui um colégio para fazer estágio. Saí da escola e fui para a faculdade, pensando “nossa, hoje eu estou com sorte!”. Minha senha de atendimento para a coordenação de estágio era E014. Fui atendida pelo Erik, que desta vez não estava tão sorridente como sempre. Era difícil ficarmos constrangidos ou incomodados em sua presença. Ele fazia questão de deixar todos os alunos à vontade. Naquele dia, em que tudo estava dando certo, o olhar perdido dele me deixou com uma sensação esquisita. Eu, que não sou de olhar nos olhos (por timidez), fitei-o por alguns minutos. Ele pegou minha ficha, cadastrou a escola em que eu faria o estágio e pediu que eu voltasse no dia seguinte, para terminar o processo. Assim, secamente. Eu agradeci e, antes de sair da sala, me virei. Olhei mais uma vez para ele. Seu sorriso não era como antes.

Mal eu sabia que aquela seria a última vez que o veria.

Eu sei que pessoas morrem o tempo inteiro. E também sei que algumas mortes não deviam nos abalar tanto. Mas esta me tocou profundamente. O Erik foi uma das pessoas mais incríveis que conheci, mesmo sem conhecer. Eu não era íntima dele, mas sabia que poderia contar com sua ajuda, sempre que preciso. Ele não media esforços para ajudar, motivar, apoiar, melhorar o dia de quem quer que fosse. Distribuía seus sorrisos até para quem não merecia. E me dói tanto pensar nisso, porque eu não sei quantos Eriks eu conhecerei na vidaDói saber que eu nunca disse um obrigada sincero, como faço agora. Dói saber que ele se foi tão cedo e ainda tinha tanta luz e amor para doar.

Se eu pudesse te deixar um conselho, seria este: se você ama uma pessoa, sente carinho, admira ou seja lá o sentimento que você nutra por alguém, diga para esta ela. Escreva. Valorize. Demonstre. Temos pouco, pouquíssimo tempo. Não espere tudo acabar, para sentar em frente a um computador e teclar seus lamentos.

Erik, de onde você estiver, te desejo luz e deixo o meu agradecimento por ter marcado positivamente a minha vida.

“Que a vida é trem-bala, parceiro

E a gente é só passageiro prestes a partir.”

Aryane Silva

IMAGEM: Miss Paper Clip (Deviantart)

 

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