Teimosia

 

Era para eu ter dito a você, naquele momento, naquela conversa banal, que eu te queria, mas que não insistiria mais. Porque é cansativo, eu não tenho paciência para voltas, e porque você não quer também. É, eu poderia ter dito, mas preferi me calar e fingir que a sua indiferença não me doeu. Menti para mim mesma, acreditando que não dói em você também.

Então, como sempre, nos despedimos, sem tchau. Daqui, me odiei mais uma vez por ter me reaproximado por nada, quando eu me fiz prometer que eu ficaria longe, economizando energias para outra pessoa. Mas não; a teimosia – esta que eu renego até a última gota – veio com força total, como se uma semana, um mês, um dia ou um ano dessem na mesma.

Eu te odeio na maioria do tempo. Não o odiar, que machuca, que deseja o mal. Esse não. Eu odeio a ideia de que você não me perceba. E de que eu saiba disso, e ainda sim, insista. E odeio saber que por uma idiotice não estamos juntos. Às vezes, até me pergunto: “pelo o que, mesmo?”, e não sei a resposta.

Como a gente sobrevive quando não sabe quem sim, quem não e quem nunca? Eu não sei. Só sei que é você que eu quero, não sei se deveria, mas nunca direi isso.

 

Aryane Silva

IMAGEM: Google

 

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