Estatística

Quando eu fechei os olhos, antes de dormir
pensei que todos os meus problemas tinham acabado.
Mas, no dia seguinte,
ao acordar e abrir os olhos,
lembrei que era domingo,
que o coração ainda dói,
e que eu ainda não aprendi a amar.

Levantei da cama, como quem se arrasta para lugar nenhum,
parei no meio da sala
e meu coração doeu de saudade.
A cada passo, uma lembrança,
uma tristeza que não me deixa passar,
não me deixa sorrir.
Mas eu ri.
Gargalhei, de pena de mim.
Pensei que a sorte é um talento
que poucos têm.
E eu, no auge dos meus trinta e poucos anos,
só quero a leveza dos momentos simples.
Perceber que não sou amada e seguir.
Entender que eu sonho demais e, por isso, minhas expectativas me machucam.
Hoje, para falar de amor, não falo.
Guardo e passo uma camada de fingimento distraído por cima.
Olho o mundo, as pessoas (algumas em específico) e penso que há muito coração para pouca disponibilidade.
Uma estatística triste e absurda.

Aryane Silva

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