Estatística

Quando eu fechei os olhos, antes de dormir
pensei que todos os meus problemas tinham acabado.
Mas, no dia seguinte,
ao acordar e abrir os olhos,
lembrei que era domingo,
que o coração ainda dói,
e que eu ainda não aprendi a amar.

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Uma pausa redundante (sobre o tempo)

Às vezes a gente quer um abraço,
outras, um copo.
Um tempo entre um e outro
e uma manhã de sono em dia.
Há quem não saiba para onde ir,
se precisa ficar e aguentar mais um pouco,
e seca as lágrimas na manga do casaco
fingindo que nada aconteceu, nada feriu.

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Resposta

Só aguente mais um tempo. Eu sei que você consegue. Acredito que é só uma questão de tempo que, como sabes, organiza as coisas. Então, fique firme.

Daqui também sigo tentando me superar, mesmo que o desafio seja mínimo. Para mim, qualquer pequeno passo se torna uma grande conquista. Aqui também dói e cansa. Também espero e sofro. Mas estou de pé. Você quer que eu esteja, não é? Pois é, te desejo o mesmo. Parece que não, mas é verdade.

Não sei em que momento a vida nos separou. Logo agora que eu estou retomando antigos afetos. Sinto a tua tristeza em mim e não poder fazer nada é terrível. Essa semana eu ouvi de um amigo: “minha vontade é de te pegar pelo braço e sair contigo, correndo”. E quando ele me falou isso, pensei em você. Queria fazer isso contigo, porque eu sei como curar esse teu coração bruto e sofrido. E esse é o meu abismo diário: saber que posso, porém não devo.

Fique bem, meu amor. Esse mundo é grande, você é incrível, tão único que eu gostaria que você se visse da maneira tão bonita que eu te vejo. Você se amaria como eu te amo e se perdoaria de toda a distância e ausência.

Se você aguentar daí, eu aguento de cá. Só não desista, ok? E se por acaso você pensar nisso, meus ombros estão preparados para te levar, onde for. Onde a vida quiser.

Aryane Silva

Seja luz

Quando eu decidi seguir um caminho espiritual, minha vida estava uma bagunça. Ou melhor, eu era a própria bagunça. Estava sendo quem não era e tomando atitudes que não combinavam comigo. Desde muito pequena, através de sonhos e intuições, eu sabia que o meu caminho seria diferente das outras pessoas. Mas ignorei o chamado porque medo de parecer boba diante das pessoas e acabar ficando sozinha. Não é muito diferente do que agora. Mas a minha opinião sobre solidão mudou bastante. Já explico.

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Quase leve

Fins de tarde sempre me dão algum tipo de tristeza, sendo ele de céu cinzento, azul ou com aqueles tons rosados que eu amo. E eu tenho sentido essa melancolia (isso: melancolia!) há um mês. Há exatos trinta dias, às cinco da tarde, abro a porta da sala, sento na varanda, acendo um incenso, boto a água do chá para esquentar e fico ali, inspirando e expirando, deixando algumas lembranças virem e irem.

Durante essas minhas reflexões diárias eu cheguei a uma conclusão: eu não sei lidar com pessoas difíceis. Não sei e não quero mais. Levei trinta e três anos para entender muitas coisas, as que permiti que fizessem comigo, o que fiz com os outros e o que eu não tenho inteligência emocional para lidar. Pessoas difíceis estão nessa minha lista.

Durante toda a vida, me foi ensinado que gente complicada, na maioria das vezes, tem um passado difícil ou não gosta de como vive. Fizeram-me acreditar que para ser bom você precisar aceitar tudo o que vier, de bom grado, porque é assim que deve ser. A vida inteira eu pensei que quando uma pessoa é grosseira, egoísta, manipuladora, indiferente, impaciente e arrogante é porque ela está em algum momento complicado ou, na menos pior das hipóteses, está em um dia ruim. Mas, recentemente eu descobri que tudo o que me disseram não é um padrão. Continue lendo “Quase leve”

Tudo o que eu queria te dizer

Sei que muita gente que ler o texto da imagem, não vai concordar comigo. Mas, na verdade, eu coloquei esse trecho de livro para você ler e refletir, porque eu já estou esgotada de todo esse jogo sem regras, cansativo e infinito. Eu já te disse antes – ou melhor, escrevi – que eu estava pronta. Que eu queria, tanto ou mais que você. Não sei porque não deu certo, em que momentos calculamos e planejamos errado. Minha intuição me diz que “ter um amor no meio do caminho” é o seu pensamento convicto. Ok, eu até concordo em certo ponto. Mas ele não poderia me parar. Isso eu te garanto.

Não sei se faz mais sentido me justificar, explicar, decretar tudo o que você já está cansado de saber. No fim das contas, há uma solidão, um lamento agudo e aquela esperança de que tomamos a decisão certa.

Só espero que eu não tenha decidido por você também.

Aryane Silva

Trecho do livro “As coisas que você só vê quando você desacelera”, de Haemin Sunim

Quando o caminho é infinito

Estou caminhando. Estou aprendendo. Não concluída, procuro algo que me defina, sem sucesso. Um dia estou bem, no outro nem tanto e tem aqueles em que não quero ser legal. Às vezes sou amorosa com quem não merece, indiferente com quem me ama. Sou dez em um dia só. Sou milhões de versões, sentimentos e transito por incontáveis pensamentos. Nunca paro. É, não paro mesmo. Continue lendo “Quando o caminho é infinito”

Vidraça

Ao final do ano passado, minha irmã me disse, através do WhatsApp, que ela se mudaria para Salvador, no início do ano seguinte. Derramei um choro patético, dramático e ridículo e ela tentou me acalmar (como se eu fosse uma criancinha de oito anos que sofria ao ver seu animalzinho de estimação morrer), dizendo que aquilo era para o bem dela, que ela precisava e tudo o mais. E o pior: eu sequer tinha o direito de chorar. Não via minha irmã havia anos. Muitos deles. Continue lendo “Vidraça”

Agradecer [a graça descer]

A vida é muito rara. Muito. Ontem eu estava reclamando de um dedo com alergia provocada por uso de um anel vagabundo e hoje acordo com uma notícia triste. E, por trás dessa notícia, há uma pessoa que eu quero muito bem. E isso me fez voltar, por algum significado que ela jurou que eu tenho em sua vida. Continue lendo “Agradecer [a graça descer]”

Eu odeio o dia catorze de junho

Você acreditaria se eu dissesse que minha mala já estava pronta, naquela época? E que eu fiquei a centímetros da porta, mas perdi a coragem de sair? Eu não tinha certeza de nada, mas tinha vontade de tudo. Eu sabia o que e como fazer. Levei meses planejando, calculando os riscos, prevendo as consequências. E eu arcaria com o que precisasse. Eu teria força por nós dois, o que hoje eu sei que é meu maior erro. Continue lendo “Eu odeio o dia catorze de junho”