Tudo o que eu queria te dizer

Sei que muita gente que ler o texto da imagem, não vai concordar comigo. Mas, na verdade, eu coloquei esse trecho de livro para você ler e refletir, porque eu já estou esgotada de todo esse jogo sem regras, cansativo e infinito. Eu já te disse antes – ou melhor, escrevi – que eu estava pronta. Que eu queria, tanto ou mais que você. Não sei porque não deu certo, em que momentos calculamos e planejamos errado. Minha intuição me diz que “ter um amor no meio do caminho” é o seu pensamento convicto. Ok, eu até concordo em certo ponto. Mas ele não poderia me parar. Isso eu te garanto.

Não sei se faz mais sentido me justificar, explicar, decretar tudo o que você já está cansado de saber. No fim das contas, há uma solidão, um lamento agudo e aquela esperança de que tomamos a decisão certa.

Só espero que eu não tenha decidido por você também.

Aryane Silva

Trecho do livro “As coisas que você só vê quando você desacelera”, de Haemin Sunim

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Vidraça

Ao final do ano passado, minha irmã me disse, através do WhatsApp, que ela se mudaria para Salvador, no início do ano seguinte. Derramei um choro patético, dramático e ridículo e ela tentou me acalmar (como se eu fosse uma criancinha de oito anos que sofria ao ver seu animalzinho de estimação morrer), dizendo que aquilo era para o bem dela, que ela precisava e tudo o mais. E o pior: eu sequer tinha o direito de chorar. Não via minha irmã havia anos. Muitos deles. Continue lendo “Vidraça”

Eu odeio o dia catorze de junho

Você acreditaria se eu dissesse que minha mala já estava pronta, naquela época? E que eu fiquei a centímetros da porta, mas perdi a coragem de sair? Eu não tinha certeza de nada, mas tinha vontade de tudo. Eu sabia o que e como fazer. Levei meses planejando, calculando os riscos, prevendo as consequências. E eu arcaria com o que precisasse. Eu teria força por nós dois, o que hoje eu sei que é meu maior erro. Continue lendo “Eu odeio o dia catorze de junho”

Eu tenho que aprender a te deixar pra lá

Passei o dia inteiro ouvindo a mesma música, repetidas vezes. Não é um costume meu, bem sabes. Agora, antes de dormir, entendi o porquê: a música fala de nós dois.  Não te conheço o suficiente para saber se você acredita em destino e nas voltas que o mundo dá para atender aos caprichos de um Universo teimoso. Às vezes também desacredito. Às vezes olho para o céu e não vejo nenhuma estrela. Às vezes me pergunto por que ainda devo acreditar em tudo isso. Continue lendo “Eu tenho que aprender a te deixar pra lá”

Mixórdia

São quase cinco da manhã. Chove bastante aqui na minha cidade. E eu, apesar de saber tantas coisas, ainda não sei o que eu fiz para que você ficasse tão indiferente a mim. Ok, concordo que eu não sou uma pessoa tão acessível. Prezo pelo falar pouco ou quase não falar. Sou do pensar e quase não agir. Mas tudo isto tem uma razão de ser e so com você eu sou diferente. Contigo, eu quero conversar até o amanhecer. Quero rir de piadas bobas e fazer planos. Lembra da viagem de ônibus a outro país, que comentamos e que, depois de uma risada descrente minha, você disse que era sério? Lembra do convite para ver o céu estrelado e amanhecer contigo? Pois é, nada disso se concretizou. E eu me pergunto o porquê de não termos forças para dizer, quando haviam tantos sinais. Acima de tudo, nos propomos um jogo perigoso, elástico, do quase-beija, quase-diz-que-ama, quase-liga. Uma competição que não pretendíamos ganhar por covardia, por um desejo que ardia e que só viveu de fantasia. Continue lendo “Mixórdia”

Para você lembrar de mim

Eu não vou deixar você me esquecer tão rápido. Ainda não sei como fazer isso, porque minha tendência é me afastar quando percebo que a sintonia não é mais a mesma. Mas vou arranjar um jeito, uma maneira de ficar para sempre contigo.

Eu acredito em lembranças bonitas, vividas ou não. Naquelas que moram em fotos e nas que o coração cria. O meu tem uma imaginação muito fértil. Está apegado a você como personagem. Continue lendo “Para você lembrar de mim”

Teimosia

 

Era para eu ter dito a você, naquele momento, naquela conversa banal, que eu te queria, mas que não insistiria mais. Porque é cansativo, eu não tenho paciência para voltas, e porque você não quer também. É, eu poderia ter dito, mas preferi me calar e fingir que a sua indiferença não me doeu. Menti para mim mesma, acreditando que não dói em você também.

Continue lendo “Teimosia”

Agora

Enquanto alguns já estão dormindo faz tempo, eu estou aqui, insistindo, persistindo, na esperança que você me leia, porque eu quero o teu sentir além do óbvio das palavras. Aliás, eu quero muitas coisas, que nunca foram ditas assim, tão abertamente. Saiba: eu detesto as entrelinhas e duplas interpretações.

Só te peço uma coisa, se me lê agora (ou se me ler amanhã, ou depois, ou depois…): pare o que estiver fazendo e me sinta. Lembre-se do perfume, do primeiro dia que você se deu conta que poderia dar certo. Eu não tenho as mãos frias e você sabe o que isso significa. Não leve em conta as circunstâncias, porque elas são mutáveis. E você sabe do meu signo e o quanto eu levo isso a sério.

Não quero ver o dia amanhecer porque eu faço isso, quase todo dia. Não é novidade. Não tem nada de bonito nisso. Mas eu queria te ver acordando. Desgrenhado, preguiçoso e sem defesas. Cru e amado. Experimentado por mim no corpo e na alma. Não sou o tipo de mulher que sonha até a última gota. Eu quero alguém que mate a minha sede de vida, de cama, de alegria. E eu sei de cor teus limites, os mais rígidos e os frágeis, impostos para que não sofra com um amor mal resolvido.

Estou indo dormir e te dando um abraço daqui, beijando seu pescoço para encontrar um pouco de paz, sentindo seu coração batendo de nervoso ao ler isso, apenas pensando no quanto seria bom acordar mais tarde e ver você ao meu lado.

Quem sabe. O mundo é gigante. E ele gira.

Aryane Silva