Como um sopro

Só para você saber: eu estou aqui e tenho lido coisas lindas. Não me refiro ao livro da minha cabeceira (esse assunto sempre rende), mas a palavras que procuro quando você não está.

Que medo! Que medo de meter o pé na porta errada ou chutar e não acertar. Ando nos arredores do seu coração, na ponta dos pés, segurando minhas imperfeições para não fazer barulho. Já pensou se passo e quebro alguma coisa? Eu já fiz isso, lembra? Não foi legal. Trago as cicatrizes emocionais até hoje. Continuar lendo

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Curto, para não entediar

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Eu nem sei como começar esse texto, mas quero ser breve. Você não tem mais a paciência de antes. Tive um sonho triste, durante uma soneca à tarde. Às vezes me pergunto como consigo sonhar questões tão profundas em vinte minutos. Na verdade, o ponto não é o sonho, porque você já conhece. Eu sempre falo dessas mesmas pessoas, que me magoaram e ainda povoam meus sentimentos. A questão é que acordei super triste, ameacei umas lágrimas, pensei em te procurar e te contar… mas perdi a coragem. O e-mail, com uma frase só, está no rascunho. Eu só queria que você soubesse que eu gostaria que estivesse aqui, me abraçasse, beijasse minha testa e me dissesse que não foi nada. Que essas pessoas não podem me fazer mal algum e que eu sou forte para passar por isso e por tantas outras coisas. Talvez, não com essas palavras, mas com a intenção. Agora eu olho para a janela, tentando encontrar resposta para o sonho e para a saudade.

E percebo como seria incrível amanhecer com você.

 

Aryane Silva

IMAGEM: Jojo (Deviantart)

 

Na janela da Rua Ismênia

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Na janela da casa onde nasci, pude ver muitas primaveras chegarem. Via a chuva bater e escorrer pela vidraça, me fazendo suspirar, mesmo quando eu não sabia o que aquilo significava. Esperei o Papai Noel tantas vezes no Natal, mas ele escolhia sempre o quintal para deixar meu presente.

Nessa janela, eu olhava a vida. Aquela que eu sentia por dentro e a que passava lá fora. As crianças brincavam sem medo e tempo. Só me restava olhar. Trepar na mureta e sorrir com o sorriso delas. Continuar lendo

A liberdade é um beijo que nunca aconteceu

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Estou te libertando. Pode ir. Escrevi a última carta que não será enviada hoje, às duas da manhã. Foi uma semana complicada, de cansaço físico e mental. Mas cheguei a uma conclusão, depois de muito pensar: vivemos em mundos distintos, aprendemos a amar de formas diferentes.

Eu não queria que você fosse algum tipo de homem extraordinário, de grandes feitos e gostos refinados. Queria você assim, simples, meio rude ao falar, encantador ao roer as unhas quando está nervoso. Gostei de você sem te conhecer profundamente, sem uma troca de olhares significativa. Mas nos conectamos de alguma forma. Foi legal, foi bonito, durou quase um ano, entre nãos e sins que criei na minha cabeça, mas hoje, graças ao meu bom senso, todas as reticências viraram o tão esperado ponto final.

Vá. Não vou esperar. Na verdade, estou torcendo para você chegar bem, onde quer que seja. Vou esperar você dobrar a esquina para te dar meu último adeus e sorriso. Obrigada por ser uma parte tímida de mim e ainda assim, fazer todo sentido. Leve com você o “se” feito de medos e costurado por uma esperança questionável. Leve os nossos quases, olhares que por pouco não se encontraram, saudades sentidas e não reveladas.

Vai, que hoje é domingo e o trânsito está tranquilo. Vou passar um café e voltar para a leitura entediante, que não tive coragem de abandonar. Aliás, será que para deixar alguém é preciso algum tipo de ousadia?

Não sei. Vou pensar sobre isso. Vou pensar sobre os nós que fiz na nossa história, porque faltou inspiração para escrever nosso ponto de virada.

Vou pensar no café que não tomamos, no show que não fomos e nas muitas conversas que poderíamos ter, mas não tivemos, pois somos iguais até nisso.

Vai, e se puder, lembre de mim.

Porque você ficará aqui, na minha lembrança mais querida. E viva.

Aryane Silva

IMAGEM: Sabryie

Escrito na linha da vida, na palma da mão do destino

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Entendo que você precisou seguir outro rumo. E para não ficar em desvantagem, aprendeu a amar outra pessoa. Mudou suas preferências musicais e abandonou velhos hábitos.

Sei que brincou de ciranda com o tempo, sempre a girar, mantendo-se distraído para não pensar tanto.

E ficou puto quando descobriu que o amor bateu na minha porta, mas, ousado, pulou a janela e dormiu comigo.

Gritou aos quatro ventos um amor plástico, recém comprado em uma das prateleiras do destino.

E forçou um sorriso nas fotos que tira com ela. Continuar lendo

A passos lentos

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Não é a topada do dedo mindinho do pé, na perna da mesa, que dói.

Nem o corte superficial na mão, quando descascamos os legumes da sopa.

Muito menos as bolhas causadas pelos sapatos novos.

Não são os pêlos arrancados à pinça, nem o torcicolo por dormir de mau jeito, nem o bife arrancado da unha pela manicure aos sábados.

Não, isso não dói.

Nem o tiro, nem o tapa, nem o tropeço de cara no chão. Continuar lendo

Quases

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Te envio um pouco do meu carinho do final da tarde de hoje e sua indecisão em chover ou não.

A unha do polegar roída ao lembrar de você e sentir  o tamanho da distância e a profundidade da saudade.

Te envio aquele trecho da música do Pink Floyd que você gosta e nunca me contou.

E, só para provar minha ousadia, ainda envio as minhas novas habilidades na cozinha e um punhado de receitas que não fiz para você, e por isso não deram certo. Continuar lendo