Não precisa ler. É carnaval!

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Sei que muita gente está, neste momento, arrumando suas malas para curtir o carnaval. Talvez, tudo o que eu escreva aqui não será lido. Mas hoje é quinta-feira e, como sempre, não poderia deixar de postar o texto semanal. Talvez, se eu fosse um pouco mais relapsa, digitaria uma crônica antiga, que não faria diferença alguma, já que ninguém vai ler um texto imenso, enquanto está aquecendo seus tamborins para os dias de folia.

Mas eu lembrei de uma história sobre carnaval. Aliás, várias, mas vou me dedicar a apenas uma. Tentarei ser breve. Mas, se a coisa toda ficar longa demais, pode parar no “continue lendo”, ok?

Vejo muita gente polemizar relacionamentos nessa época do ano. Hoje, inclusive, eu ouvi uma mulher responder que o carnaval é uma data esperada, porque tudo é permitido nestes quatro dias, a uma repórter de rua. Fiquei pensando o que é isso tudo a que ela se refere. Em que planeta eu vivo que eu ainda não experimentei esse tudo? Que tudo é esse que não pode ser aproveitado nos outros dias da nossa vida? Pensei, pensei e cheguei à conclusão que talvez seja algo de outro mundo ou inimaginável.

Então lembrei de mim e encontrei a resposta. Continuar lendo

De mim, para mim

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Aryane,

 

Tudo bem? Acho que você já me conhece o suficiente, então vou dispensar apresentações. Como você sabe, gosto de coisas diretas, sou bem prática. E também não tenho paciência para muitas outras, então poupe-me de suas lágrimas com o que vou escrever, ok?

Só passei por aqui porque soube que essa semana é seu aniversário. Não, ninguém me contou. Eu que sei, né? Nem se eu quisesse, poderia esquecer. É o dia da minha santa de devoção, Nossa Senhora de Fátima. Brincadeira, lembrei porque gosto de você. De verdade.

E então? Vai fazer festa? Sei que você nunca comemora, mas o que acha de fazer algo diferente este ano? Reunir uns amigos, cantar parabéns pra você, essas coisas? É, eu sei que é chato porque cai em uma quarta-feira e eles trabalham, não é? Mas saia para jantar, vá ao cinema, pelo menos. Se não quiser um bolo inteiro, compre uma fatia e espete um palito de fósforo. Comemore, minha querida. Esse ano você precisa comemorar.

Há pouco estava lembrando de alguns fatos que aconteceram na sua vida. Lembrei que você brincava de ser professora e seu quadro-negro era a porta da despensa da casa. Fingia dar aulas para ninguém e ensinava umas matérias que não existiam. Passava horas no quintal assim. Eu nunca imaginaria que você se tornaria professora de verdade. Fecho os olhos e ainda posso ver você com um cabelão comprido, cacheado, vestindo sua saia cheia de pregas (uniforme do Curso Normal) e meias três quartos.

Lembro que você tinha medo de aranhas. Pavor, na verdade. E na sua casa tinha umas, enormes. Você gritava e corria, enquanto a sua irmã, aquela que disse que ia te queimar viva, ria da sua cara. Essa sua irmã era engraçada, sabia? Ela te sacaneava pra caramba, mas ela foi sua mãe, na maior parte do tempo. Sei que você sabe disso também.

Lembrei que você se apaixonou muito, mas seu primeiro amor aconteceu na época de escola. Você gostava muito dele, não é? Sei que você ficava relendo as cartas e os cartões, toda emocionada e boboca. E quando se apaixonou por aquele menino que era menor que você? Essa época foi a mais divertida de assistir. Você fazia uns rituais estranhos, acendendo velas para todos os santos possíveis e matava um se derrubassem o porta-retratos com a foto dele, com uma declaração de amor no verso. Teve tanto cuidado que, assim que o relacionamento acabou, você fez picadinho da foto. Vai entender…

Lembrei também daquela vez que você estudou como uma louca e não passou no concurso militar. Você voltou chorando dentro do ônibus e o trocador te deu um lencinho de papel. E da decepção que sentiu quando perdeu uma amiga que confiava e que te traiu. Chato, né? Mas você superou, preta. Como naquela época que você colocou um ponto final no seu primeiro casamento e saiu de casa, com a cara e a coragem, lutando dia após dia para sobreviver. Eu vi o quanto você foi maltratada e humilhada. Mas, enquanto assistia a isto, pensava: “essa danada vai dar um jeito nisso tudo”. E deu, como sempre.

Hoje você está aí, completando trinta anos e se eu te conheço bem, não se sente com essa idade toda. Te conheço tanto, que é mesmo difícil de acreditar que você já tem essa idade. Sempre moleca, sempre menina. Uma boba sonhadora que me causa raiva às vezes. Tem horas que me dá vontade de te sacudir. Outras, aplaudir. De uns tempos para cá, a segunda opção tem vencido.

Aryane, Nany (como você gosta de ser chamada), eu queria te dizer uma coisa e espero que você nunca se esqueça disso: eu te amo. Sou muito grata por todas as bandeiras do bem que você levanta, por tudo que abdicou para viver bem comigo e do que não aceitou como esmola para se sentir bem. Obrigada por estar ao meu lado, me segurando quando eu penso que estou prestes a cair. Obrigada por me colocar como prioridade na sua vida, por me amar mais do que qualquer pessoa e por sempre pensar no meu bem-estar. Espero estar correspondendo à altura. Espero devolver esse amor quando sua intuição te alertar, quando o reflexo no espelho responder. Espero ser sua melhor amiga e ter forças para lutar junto contigo.

Parabéns para nós!

Um beijo de quem te quer bem e feliz,

 

Aryane.

 

 

Feliz Natal!

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❝Natal, para mim, é dia de gratidão. Dia de fechar meus olhos e agradecer por tudo que venho aprendendo. Por tudo que superei. Por tudo que guardei e esperei o tempo ajeitar. Por todos que eu aprendi a amar e por aqueles que me devolvem esse amor, todo dia. Por toda a paciência, benevolência e misericórdia que vem do Alto. Pela minha vida e por poder doá-la a algumas pessoas, mesmo que eu ainda me atropele fazendo isso. Continuar lendo