Deixa eu te conhecer de novo?

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Era 2007, quando terminamos por telefone. Ele, grudento demais. Eu, buscando um amor tranquilo, como Cazuza cantou. Encerramos um telefonema que não demorou dois minutos. Tudo muito breve, direto. Desliguei, peguei as chaves de casa, a bolsa e fui para a faculdade, como se nada tivesse acontecido. Era só um relacionamento que não deu certo, por ene fatores: distância, bagagens, horizontes e gostos (musicais, literários, gastronômicos). Ele comia feijão gelado. Parece desejo de grávida, eu dizia. E ríamos, até a barriga doer. Continuar lendo

Curto, para não entediar

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Eu nem sei como começar esse texto, mas quero ser breve. Você não tem mais a paciência de antes. Tive um sonho triste, durante uma soneca à tarde. Às vezes me pergunto como consigo sonhar questões tão profundas em vinte minutos. Na verdade, o ponto não é o sonho, porque você já conhece. Eu sempre falo dessas mesmas pessoas, que me magoaram e ainda povoam meus sentimentos. A questão é que acordei super triste, ameacei umas lágrimas, pensei em te procurar e te contar… mas perdi a coragem. O e-mail, com uma frase só, está no rascunho. Eu só queria que você soubesse que eu gostaria que estivesse aqui, me abraçasse, beijasse minha testa e me dissesse que não foi nada. Que essas pessoas não podem me fazer mal algum e que eu sou forte para passar por isso e por tantas outras coisas. Talvez, não com essas palavras, mas com a intenção. Agora eu olho para a janela, tentando encontrar resposta para o sonho e para a saudade.

E percebo como seria incrível amanhecer com você.

 

Aryane Silva

IMAGEM: Jojo (Deviantart)

 

Diálogos (quase) possíveis – história 12

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Era quatro e catorze da manhã, quando ele despertou, sobressaltado. Quem dormia ao seu lado não notou, o que o fez lamentar aquele cenário. Ela, a outra, estava deitada de bruços, com uma das pernas para fora da cama, dormindo profundamente. Ele ficou sentado na cama, olhando-a dormir, esperando algum tipo de preocupação, ao menos murmurada, mas nada. Que porra eu tô fazendo da minha vida?, ele perguntou a si mesmo. Continuar lendo

Na janela da Rua Ismênia

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Na janela da casa onde nasci, pude ver muitas primaveras chegarem. Via a chuva bater e escorrer pela vidraça, me fazendo suspirar, mesmo quando eu não sabia o que aquilo significava. Esperei o Papai Noel tantas vezes no Natal, mas ele escolhia sempre o quintal para deixar meu presente.

Nessa janela, eu olhava a vida. Aquela que eu sentia por dentro e a que passava lá fora. As crianças brincavam sem medo e tempo. Só me restava olhar. Trepar na mureta e sorrir com o sorriso delas. Continuar lendo

A sabedoria dos pássaros

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Entender, nem sempre, é necessário. Às vezes experimentar é fundamental. Alimentar os sentidos.

Não saber pode ser o melhor passo a ser dado na caminhada evolutiva.

Talvez, estejamos querendo saber demais, correndo mais do que as pernas podem suportar.

Todos nós somos crianças teimosas e birrentas quando a vida não nos deixa ver o que há do outro lado da porta existencial. Continuar lendo

Àquele que não me tem (não como todo mundo)

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De todas as escolhas erradas que tomei na vida, você foi a certa. E aconteceu tão naturalmente que, quando me dei conta, estava acertando, meio sem querer. Em um mundo onde poucas pessoas me enxergam como eu realmente sou e se interessam em saber o que eu passei para me tornar essa pessoa que dorme e acorda ao seu lado, você foi o único que, de fato, se interessou por mim, em todos os ângulos possíveis. Continuar lendo

Em si

Ela não é o tipo de mulher que chora,

mas suas dores estão todas catalogadas por dentro

e ela as carrega sem reclamar.

Sabe respeitar o tempo de cada coisa,

a mudança do tempo,

a sua própria natureza e reconstruções. Continuar lendo

Diálogos (quase) possíveis – história 11

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Estava quase tudo pronto para o jantar, quando o interfone tocou. Ela mal se conteve de tanta felicidade ao saber que a irmã mais velha estava do lado de fora, aguardando que abrissem o portão. Era o primeiro encontro delas depois de dez anos sem se falarem.

– Pensei que você não viesse. – disse a irmã mais nova, abraçando-a.

– Estou muito velha para deixar coisas pendentes. – riu a irmã mais velha, um pouco sem jeito para devolver o abraço, já que não era dada a demonstrações de carinho como aquela. Continuar lendo

Nela

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Vou parar de pensar nela. É insano acordar e dormir pensando e sorrir feito idiota por algo que não sei se existe. Mas, cara, ela é um mundo à parte. Um mar bravo que eu não sei mergulhar de cabeça. Não estou tão certo se deveria, mas é o que o meu sexto sentido falho aconselha, e o medo, reprime.

Ninguém a ouviu sorrindo, como eu. Acredite, é contagiante. Ela é de um signo avesso à gargalhadas. Eu li em um site esotérico. É teimosa, ciumenta e tem grandes ambições. Eu queria ser um item desse pacote.
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