Uma história sobre empatia (ou a falta dela)

Há três meses, fui “achada” por uma colega dos tempos de colégio, em uma rede social. Tomei um susto quando ela me mandou uma mensagem, me chamando pelo apelido de infância. E, ao mesmo tempo, achei graça por ela ter lembrado disso, depois de quase vinte anos. Conversamos trivialidades, nada muito profundo, porque já passava das onze da noite e eu estava caindo de sono.

No dia seguinte, ela me mandou uma nova mensagem, querendo marcar um encontro. Achei estranho. Nunca tive intimidade com ela, nem éramos tão amigas assim. Mas ela queria me ver de qualquer jeito. Sugeriu vários lugares, alguns próximos, outros nem tanto. Respondi que estava almoçando, que pensaria em algum lugar legal e depois combinaríamos.

No segundo dia, após nosso reencontro virtual, ela me mandou mais uma mensagem, me cobrando o tal chopp, que eu sequer gosto. Percebi que ela não era do tipo de pessoa que insiste apenas três vezes. Eu estava lendo um livro de letrinhas minúsculas, quando recebi a mensagem. Respondi com um “ok, fechado”. E já comecei a sofrer, só de pensar em ter que sair de casa. Continuar lendo

É só com afeto mesmo?

Você deve ter lido este título e pensado: “como ela se atreveu? ”. Pois é, eu me atrevi. Aliás, sou atrevida, principalmente com as palavras. Vim aqui porque ando com a cabeça confusa, cansada de falar, observar, notar e não ter as respostas que preciso.

Para resumir e finalizar  o folhetim ultrarromântico, pergunto: é só afeto mesmo? Continuar lendo

Diálogos (quase) possíveis – história 2

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[Julho de 2007]

Estava frio. Assim como na foto que ilustra o post, eu me encolhia, na tentativa de superar o frio do corpo e da alma. Por entre as mechas dos cabelos, vi alguém passar na esquina, sair do meu campo de visão e voltar. E quando essa pessoa me olhou de novo, se aproximou. E quando se aproximou, senti toda a minha dignidade ir embora.

– Nani, é você? – ela se agachou, tirando o cabelo do meu rosto.

– Infelizmente, sim. – respondi, sem olhar para ela.

– O que aconteceu com você? Por que está aqui?

– Você quer saber da parte boa ou da parte triste da história?

– As duas.

– A parte boa é que eu me separei. E a parte triste é que eu me separei.

Ela riu.

– Como se separar daquele filho da puta pode ser uma parte triste, Nani?

Levantei o rosto e abracei os joelhos.

– Se você olhar para mim vai encontrar sua resposta. Continuar lendo