O jogo semântico-poético de ele / ela acabou. Assumo a autoria do que escrever aqui para você. Sei que corro um risco absurdo, mas já passei por muita coisa nesses trinta e três anos de vida, então algumas palavras não podem trazer mais problemas dos que já tive. Na verdade, é por calar que eu apanhei das circunstâncias. E não tenho mais idade para cometer os mesmos erros.

Bom, eu queria que você soubesse de três coisas clichês: a primeira, é que eu estou com saudade. Um buraco imenso no peito, propriamente dito. A segunda, é que eu queria te ver (o que é uma consequência da ausência, pois não consigo imaginar que alguém se sabote sentindo falta de uma pessoa que não mereça), e a terceira é que eu não sei de nada. Nada de nada. Foi exatamente isso que eu disse quando me perguntaram de você. Respondi que a sensação que eu sentia era que perdi um órgão vital ou um membro que coça depois de amputado. A tua ida me doeu inteira. Continue lendo “…”

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Resposta

Só aguente mais um tempo. Eu sei que você consegue. Acredito que é só uma questão de tempo que, como sabes, organiza as coisas. Então, fique firme.

Daqui também sigo tentando me superar, mesmo que o desafio seja mínimo. Para mim, qualquer pequeno passo se torna uma grande conquista. Aqui também dói e cansa. Também espero e sofro. Mas estou de pé. Você quer que eu esteja, não é? Pois é, te desejo o mesmo. Parece que não, mas é verdade.

Não sei em que momento a vida nos separou. Logo agora que eu estou retomando antigos afetos. Sinto a tua tristeza em mim e não poder fazer nada é terrível. Essa semana eu ouvi de um amigo: “minha vontade é de te pegar pelo braço e sair contigo, correndo”. E quando ele me falou isso, pensei em você. Queria fazer isso contigo, porque eu sei como curar esse teu coração bruto e sofrido. E esse é o meu abismo diário: saber que posso, porém não devo.

Fique bem, meu amor. Esse mundo é grande, você é incrível, tão único que eu gostaria que você se visse da maneira tão bonita que eu te vejo. Você se amaria como eu te amo e se perdoaria de toda a distância e ausência.

Se você aguentar daí, eu aguento de cá. Só não desista, ok? E se por acaso você pensar nisso, meus ombros estão preparados para te levar, onde for. Onde a vida quiser.

Aryane Silva

Uma história sobre empatia (ou a falta dela)

Há três meses, fui “achada” por uma colega dos tempos de colégio, em uma rede social. Tomei um susto quando ela me mandou uma mensagem, me chamando pelo apelido de infância. E, ao mesmo tempo, achei graça por ela ter lembrado disso, depois de quase vinte anos. Conversamos trivialidades, nada muito profundo, porque já passava das onze da noite e eu estava caindo de sono.

No dia seguinte, ela me mandou uma nova mensagem, querendo marcar um encontro. Achei estranho. Nunca tive intimidade com ela, nem éramos tão amigas assim. Mas ela queria me ver de qualquer jeito. Sugeriu vários lugares, alguns próximos, outros nem tanto. Respondi que estava almoçando, que pensaria em algum lugar legal e depois combinaríamos.

No segundo dia, após nosso reencontro virtual, ela me mandou mais uma mensagem, me cobrando o tal chopp, que eu sequer gosto. Percebi que ela não era do tipo de pessoa que insiste apenas três vezes. Eu estava lendo um livro de letrinhas minúsculas, quando recebi a mensagem. Respondi com um “ok, fechado”. E já comecei a sofrer, só de pensar em ter que sair de casa. Continue lendo “Uma história sobre empatia (ou a falta dela)”

É só com afeto mesmo?

Você deve ter lido este título e pensado: “como ela se atreveu? ”. Pois é, eu me atrevi. Aliás, sou atrevida, principalmente com as palavras. Vim aqui porque ando com a cabeça confusa, cansada de falar, observar, notar e não ter as respostas que preciso.

Para resumir e finalizar  o folhetim ultrarromântico, pergunto: é só afeto mesmo? Continue lendo “É só com afeto mesmo?”

Diálogos (quase) possíveis – história 2

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[Julho de 2007]

Estava frio. Assim como na foto que ilustra o post, eu me encolhia, na tentativa de superar o frio do corpo e da alma. Por entre as mechas dos cabelos, vi alguém passar na esquina, sair do meu campo de visão e voltar. E quando essa pessoa me olhou de novo, se aproximou. E quando se aproximou, senti toda a minha dignidade ir embora.

– Nani, é você? – ela se agachou, tirando o cabelo do meu rosto.

– Infelizmente, sim. – respondi, sem olhar para ela.

– O que aconteceu com você? Por que está aqui?

– Você quer saber da parte boa ou da parte triste da história?

– As duas.

– A parte boa é que eu me separei. E a parte triste é que eu me separei.

Ela riu.

– Como se separar daquele filho da puta pode ser uma parte triste, Nani?

Levantei o rosto e abracei os joelhos.

– Se você olhar para mim vai encontrar sua resposta. Continue lendo “Diálogos (quase) possíveis – história 2”