Sentidos

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Esta semana eu estava procurando um caminho alternativo no meu bairro para fazer a minha sequência de caminhada/corrida/caminhada acelerada. Como moro quase à beira de uma estrada, fica impossível correr em meio a carros, ônibus e caminhões (embora haja quem se arrisque). Entrei em uma rua aparentemente tranquila, mas era uma ciclovia e, por causa da música estridente do fones de ouvido, eu não conseguia ouvir boa parte das recomendações dos ciclistas que passavam ali. Quem estava errada era eu, sabia bem. Tanto sabia que saí de lá.

Quando voltei para a estrada, senti um desconforto na perna direita. Comecei a mancar. Reduzi a velocidade. Voltei a caminhar, bem lentamente. Prossegui. Continuar lendo

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Amar ao próximo é demodê?

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Pelo visto, é sim. E não é de hoje. Renato Russo já cantava isso quando eu era apenas uma criança. A chacina da Candelária em 1993 também me mostrou isso. O menino João Hélio que foi arrastado em Oswaldo Cruz em 2007 e tantos outros casos, anônimos ou não. Mais recente foi o caso do adolescente acorrentado pelo pescoço no Flamengo por um grupo de rapazes na última sexta-feira, que me fez perder a fome na hora ao ver a notícia.

Eu fico embasbacada com a capacidade do ser “humano” em não honrar a capacidade do raciocínio, atributo esse que nos diferencia dos animais. Raciocínio não é só saber somar e escrever, e sim ler o mundo, como um todo. Tem gente que anda faltando essa aula ultimamente.

Na minha época (e lá se vai uns vinte anos, pelo menos) eu aprendi a não responder os mais velhos e não revidar a mordida recebida pelo coleguinha da escola. Ok, eu posso ter passado recibo de otária, mas sinceramente prefiro me passar de idiota e deitar a cabeça tranquila a perder o bom senso de convivência e sair por aí espetando todo mundo porque eu não concordo, eu não aceito, eu não respeito ou não tolero. Pra mim o “não” às vezes é só uma desculpa que muita gente usa para mascarar seus erros.

Enquanto você lê uma notícia dessa e ignora, um amigo seu pode estar apanhando dentro de uma livraria só porque alguém não admite que ele seja gay. Uma vizinha sua pode estar sendo humilhada pelos patrões por ser negra. Um filho seu pode estar sendo discriminado por ser gordo. Uma prima sua pode ser chamada de piranha só porque gosta de usar roupa colada. Ninguém está a salvo da ignorância alheia, que nada tem a ver com estudo. Tem muito engravatado por aí escorregando nos valores que não põe em prática.

Custa não apontar? Custa não retroceder? Custa não agredir por julgar inferior? Custa não rotular o outro quando não se conhece? Custa não machucar para se sentir glorioso? Custa não criticar sem embasamento?

Custa?

Para mim não, mas para muitos sim.

Afinal, amor ao próximo virou artigo barato de brechó e absolutamente vintage.

Aryane Silva