É só com afeto mesmo?

Você deve ter lido este título e pensado: “como ela se atreveu? ”. Pois é, eu me atrevi. Aliás, sou atrevida, principalmente com as palavras. Vim aqui porque ando com a cabeça confusa, cansada de falar, observar, notar e não ter as respostas que preciso.

Para resumir e finalizar  o folhetim ultrarromântico, pergunto: é só afeto mesmo? Continuar lendo

Escute, Isabela

Há alguns minutos, ouvi um homem gritar o nome da vizinha nova. Eu lia, e só dei importância ao fato por isso. O rapaz estava me desconcentrando com seus berros. E friso p plural, porque ele não chamou apenas uma vez, mas várias. A moça, que mora à minha esquerda, não atendeu a porta. Eu estava na página 133 e, pela insistência do cara, não consegui sair da palavra “botas”, última do título do capítulo. primeiro, ele chamou. Uma, duas, cinco vezes no mesmo tom  e nada. Em seguida, elevou a voz por mais algumas tentativas, como se ela pudesse pular o muro da casa. Murmurei um caramba! será que você não percebe que ela não está em casa? E meus olhos ainda nas botas literárias de Machado de Assis. Continuar lendo

Que me lê

Sou a favor de tentativas e insistências. Já desisti de coisas demais. E acredito que você, que me lê agora, também já tenha deixado muitas coisas para trás. Estamos muito longe, eu sei. E somos muito diferentes. Aqui chove e é domingo. Eu quis escrever. Desculpe, mas eu precisava escrever.

Em alguns momentos, enquanto escrevo, me acho muito egoísta. Falo de mim, dos meus sentimentos e sei que ninguém liga para isso. Mas não sei como falar de você, sem falar de mim. Tudo nasce aqui. Serei gentil a ponto de pular os clichês repetitivos de insônia e saudade. Das gavetas vazias e dos ombros cansados. Porque, no final de tudo, ninguém liga. Continuar lendo

Sobre si

Ok, garota. Você já tem mais de trinta. Está longe de ser uma menininha indefesa. Aliás, nunca foi. Sempre foi observadora para ter certeza do próximo passo a ser dado. Nunca negligenciou um sentimento, por mais doentio que fosse. Guardou papéis de carta, de bala e alguns bilhetes. Escreveu cartas (muitas): rasgou a maioria delas por covardia. Virou escritora por valentia. Quis berrar para o mundo tudo o que guardou por anos, na memória e no coração. Continuar lendo

Café e distrações

Você pode até tentar me provocar ciúmes, dizer que ela é linda, enumerando características que ela possui e eu não. Eu te falarei dos meus livros, minhas lutas pessoais e um pouco de Almodóvar, que você só conhece pela paleta de cores dos filmes.

Tentando ir além, você a levará para a festa em que estaremos e eu terei de engolir em seco palavrões quilométricos. Na minha transparência facial, você conquistará um ponto de vantagem. Nem ligo. O que são caras e bocas, perto do que a gente tem um com o outro? Continuar lendo

Metáfora da goiabeira

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Quando eu era pequena, estudava em uma “explicadora” que tinha uma goiabeira no quintal. Eu não sabia quando comecei o reforço escolar, mas depois descobri. Nunca fiquei tão feliz. Para driblar minha timidez, a explicadora me deixava pegar uma goiaba do pé, caso eu terminasse os trabalhos de casa. Eu não pensava duas vezes: colocava a preguiça de lado e fazia tudo certinho. Antes de sair pelo portão, eu subia em um banquinho de cimento e puxava uma goiaba branca. Fazia isso todo dia. Até que um dia me desequilibrei e caí. Ralei um pouco os dois cotovelos, mas não fiz estardalhaço, nem chorei. Só fui para a casa triste, sem minha fruta preferida na mochila. Continuar lendo

O que você faz quando as luzes se apagam?

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Quando eu era pequena, ficava apavorada quando acabava a luz do bairro. Isso sempre acontecia em dias de muita chuva. Estávamos vendo televisão e, do nada, tudo ficava um breu. Eu corria para o quarto da minha avó. Ela, que vivia na escuridão total por ser deficiente visual, sabia tirar aqueles menos de letra (menos quando estava calor, é claro). Eu entrava esbaforida, praticamente arrancando a porta do quarto. Ela já sabia que era eu e dizia: “acabou a luz, né?”, deixando um espaço na cama para eu deitar, logo em seguida.

Antigamente, os serviços prestados pela fornecedora de energia não eram tão ágeis como agora. Chegávamos a ficar três dias sem luz. Quando isso acontecia, eu torcia para amanhecer logo e aproveitar a luz do sol, mesmo que não pudesse assistir minhas novelas preferidas. Continuar lendo

Siga sua alegria

 

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Primeiro texto do ano.

Estou, desde onze da noite, tentando escrever algo que faça algum sentido e que seja tão espetacular, a ponto de me redimir pela ausência de posts nos últimos meses. Aí me dou conta de que não sou espetacular. Sou simples demais para subverter a literatura. Então paro, por mais cinco minutos, para pensar no que escrever.

O texto, a priori, seria sobre a viagem que fiz ao Espírito Santo, na semana passada, mas o mundo não orbita em meu umbigo (quando ele assim o fizer, escrevo). Depois, pensei em algo mais clichê e previsível, o ano novo, mas já tem muita gente escrevendo sobre, utilizando sinônimos e metáforas demais. Então, depois de muito pensar (uma hora e meia, para ser exata), decidi que não quero decidir nada. Está tarde, estou insone e não quero ser chata. Vai ser como precisa ser. Continuar lendo