Resposta

Só aguente mais um tempo. Eu sei que você consegue. Acredito que é só uma questão de tempo que, como sabes, organiza as coisas. Então, fique firme.

Daqui também sigo tentando me superar, mesmo que o desafio seja mínimo. Para mim, qualquer pequeno passo se torna uma grande conquista. Aqui também dói e cansa. Também espero e sofro. Mas estou de pé. Você quer que eu esteja, não é? Pois é, te desejo o mesmo. Parece que não, mas é verdade.

Não sei em que momento a vida nos separou. Logo agora que eu estou retomando antigos afetos. Sinto a tua tristeza em mim e não poder fazer nada é terrível. Essa semana eu ouvi de um amigo: “minha vontade é de te pegar pelo braço e sair contigo, correndo”. E quando ele me falou isso, pensei em você. Queria fazer isso contigo, porque eu sei como curar esse teu coração bruto e sofrido. E esse é o meu abismo diário: saber que posso, porém não devo.

Fique bem, meu amor. Esse mundo é grande, você é incrível, tão único que eu gostaria que você se visse da maneira tão bonita que eu te vejo. Você se amaria como eu te amo e se perdoaria de toda a distância e ausência.

Se você aguentar daí, eu aguento de cá. Só não desista, ok? E se por acaso você pensar nisso, meus ombros estão preparados para te levar, onde for. Onde a vida quiser.

Aryane Silva

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Tudo o que eu queria te dizer

Sei que muita gente que ler o texto da imagem, não vai concordar comigo. Mas, na verdade, eu coloquei esse trecho de livro para você ler e refletir, porque eu já estou esgotada de todo esse jogo sem regras, cansativo e infinito. Eu já te disse antes – ou melhor, escrevi – que eu estava pronta. Que eu queria, tanto ou mais que você. Não sei porque não deu certo, em que momentos calculamos e planejamos errado. Minha intuição me diz que “ter um amor no meio do caminho” é o seu pensamento convicto. Ok, eu até concordo em certo ponto. Mas ele não poderia me parar. Isso eu te garanto.

Não sei se faz mais sentido me justificar, explicar, decretar tudo o que você já está cansado de saber. No fim das contas, há uma solidão, um lamento agudo e aquela esperança de que tomamos a decisão certa.

Só espero que eu não tenha decidido por você também.

Aryane Silva

Trecho do livro “As coisas que você só vê quando você desacelera”, de Haemin Sunim

Eu odeio o dia catorze de junho

Você acreditaria se eu dissesse que minha mala já estava pronta, naquela época? E que eu fiquei a centímetros da porta, mas perdi a coragem de sair? Eu não tinha certeza de nada, mas tinha vontade de tudo. Eu sabia o que e como fazer. Levei meses planejando, calculando os riscos, prevendo as consequências. E eu arcaria com o que precisasse. Eu teria força por nós dois, o que hoje eu sei que é meu maior erro. Continue lendo “Eu odeio o dia catorze de junho”

Parágrafo único

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Fechei meus olhos e me vi sentada no galho de uma árvore enorme, olhando um pôr do sol muito bonito. O céu estava alaranjado, típico de um entardecer de outono. Foi uma sensação tão gostosa, tão singular… E sempre que me imagino neste lugar, você não está lá; essa é minha única tristeza. Então eu tento puxar pela memória nossas lembranças quase mortas pelo tempo, tentando contextualizar o mesmo sentimento que tenho toda vez que visito aquele lugar. Penso no quanto perdemos com o orgulho e a necessidade de provar algo para outras pessoas. Contabilizar essas coisas todas dá muito trabalho. Custa muita reflexão e uma boa dose de desapego, que eu não sei se dou conta. Devíamos ter ido a um lugar bonito. Devíamos ter um cenário bucólico para ir quando os dias futuros doessem (como hoje). Eu tenho um, mas repito: você não está nele. Então sou obrigada a descer da árvore, virar as costas e te buscar na realidade que nos sobrou. Se eu pudesse mudar algo, seria isto. E te olharia com aquele mesmo amor que deixou você ir. Hoje eu não sei amar direito e a culpa é sua. Acho que novos amores me tirarão o chão de um modo negativo. E eu não tenho asas. Você me conheceu quando eu as tinha e, naquela época, meus olhos era infinitos. Eu me pertencia e esperava o bom das coisas e pessoas. Não sei se voltarei a ser assim um dia. Minhas vontades não são tão famintas como antes. Só preciso de paz e um lugar-abrigo para esperar a tempestade passar. Mas ela não passa nunca. Você também não.

Aryane Silva

IMAGEM: DEviantart

O mundo é fraco para o amor dos fortes

Hoje à tarde fui ao centro comercial do meu bairro, resolver algumas pendências. Confesso que não estava com muita vontade, mas tenho andado adepta a não adiar o que pode ser resolvido na hora. A rua cheia de pessoas, as marchinhas de carnaval ecoando nas lojas e a animação daquele mar de gente me fez um bem danado. Senti a energia positiva e efervescente daqueles que contam os dias para cair na folia. Passei por uma rua de paralelepípedos, abarrotada de gente e fantasias expostas e, em uma das lojas, ouvi uma música latina tocando. Sorri.

Parei para tomar um sorvete e ri para um bebê no colo de uma mulher que andava à minha frente. Alguma coisa o fez rir também. Na mesma hora, passei a mão nos meus cabelos, que soltos sempre despertam sorrisos em pequenos  que sequer falam. A criança estava com o olhar tão fixo em mim, que a mãe se virou. Ela sorriu e seguiu seu caminho. Pensei ” o que eu tenho que todo mundo está sorrindo hoje?“. Vi que o dia começou bem e supus que terminaria melhor ainda.

Até a hora de voltar para casa. Continue lendo “O mundo é fraco para o amor dos fortes”

“Di” (para ler ao som de Vento no Litoral)

Que fique claro: não queria me apaixonar. Eu era daquelas jovens que acreditavam que o amor só aparece uma vez na vida e, meses antes, eu tinha terminado um relacionamento de quatro anos. Na época, eu tinha certeza que era amor. Comecei a duvidar quando terminamos em outubro de 2001.

Em janeiro de 2002, algo diferente aconteceu. E é delicioso lembrar, dezesseis anos depois.

– Você vai ao luau do condomínio? – minha vizinha me perguntou, quando eu estava entrando no prédio.

– Luau? Não estava sabendo. – respondi, educadamente, querendo não estender a conversa.

– Sim, estamos organizando um. Sempre fazemos eventos como esse. Você quer ir?

– Não sei. Vou ver. – respondi, abrindo a porta do apartamento e encerrando a conversa. Continue lendo ““Di” (para ler ao som de Vento no Litoral)”

Eu tenho que aprender a te deixar pra lá

Passei o dia inteiro ouvindo a mesma música, repetidas vezes. Não é um costume meu, bem sabes. Agora, antes de dormir, entendi o porquê: a música fala de nós dois.  Não te conheço o suficiente para saber se você acredita em destino e nas voltas que o mundo dá para atender aos caprichos de um Universo teimoso. Às vezes também desacredito. Às vezes olho para o céu e não vejo nenhuma estrela. Às vezes me pergunto por que ainda devo acreditar em tudo isso. Continue lendo “Eu tenho que aprender a te deixar pra lá”