Minha Lua não está em Vênus

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Ando numa bad sem fim. Tomei banho com o relógio que não é à prova d´água, no mesmo dia que comprei. Sonhei com um ex-namorado que me odeia até hoje e descobri que agora tenho meio grau de miopia. Tive um débito indevido em minha conta bancária, bebi uma Coca-Cola com data de validade vencida e, para completar, tem uma lagartixa no meu banheiro e não entrarei lá até ela sair. Por enquanto, vou usando o banheiro da vizinha. Continuar lendo

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Tantos, todos feitos de quases

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Ana não cumprimentou o porteiro do seu prédio, porque há cinco semanas ele não respondeu seu bom-dia.

Suzana viu uma menina no metrô, lendo seu livro preferido. Sentiu vontade de perguntar se ela estava gostando da leitura, mas não quis interrompê-la.

Sérgio lembrou que a filha de oito anos gosta de macarrons, ao passar em frente a uma confeitaria francesa, mas não comprou, porque chegaria tarde em casa e ela já estaria dormindo.

Mirna brigou com Pedro, seu namorado, no domingo passado. Por isso, rasgou o cartão que escreveu para ele e tirou a foto do porta-retratos que daria a ele para comemorar cinco anos de namoro. Continuar lendo

Diálogos (quase) possíveis – história 4

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Ele estava no quarto, com uma caixa de sapato forrada de tecido, no colo. A mãe, vendo seu filho tão quieto e com o olhar perdido, perguntou:

– O que você tem, meu filho? Estava com saudades do seu antigo quarto?

– Um pouco.

A mãe sentou-se na cama, ao seu lado. Ficou surpresa ao ver o conteúdo da caixa.

– Você ainda guarda essas coisas?

– Sim.

– Por que?

– Porque ela ainda me faz falta, mãe. Continuar lendo

Sobre amores e pés cansados

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Eu quase nunca acesso meu e-mail, mas quando isso acontece, sempre há mensagem de leitores, elogiando e criticando algo que eu tenha escrito ou me pedindo algum conselho, o que eu acho engraçado, já que sou péssima para esse tipo de coisa. No último sábado, recebi uma mensagem de uma leitora, em que ela relatava, de forma superficial, seu relacionamento já desgastado. Li todas as linhas com o máximo de atenção que o horário e o cansaço me permitiam. Na última linha, ela me questionou: “Aryane, você acha que no meu caso um novo amor me faria bem? Como eu posso amar outra pessoa se ainda estou amarrada emocionalmente nesse relacionamento, onde só uma parte luta por ele (nesse caso, eu)?”.
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Diálogos (quase) possíveis – história 1

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– Quero te contar uma novidade. – sua voz sorria do outro lado da linha.

– Ah, é? Me conte, então. – respondi, forçando uma animação que não existia, porque eu sabia o que ouviria em seguida.

– Estou apaixonado. O nome dela é parecido com o seu.

– Ah… legal.

– Não quer saber o nome dela?

– Tanto faz. – respondi, desanimada.

– Você está bem? Parece que eu apareci em uma hora errada…

– Não, que nada. Só estou lendo.

– Qual livro? O que eu te indiquei e disse que a personagem principal era parecida com você?

– É, esse mesmo. Mas ainda estou na página dez. E não estou gostando muito. Continuar lendo