Diálogos (quase) possíveis – história 14

Outubro de 2013:

Ela estava com o coração pesado, triste e, ao mesmo tempo, feliz, por trazer dentro de si um sentimento tão bonito. Mas sentia sozinha. Ou achava que sim. Como sempre fazia, pegou papel e caneta e decidiu desabafar. Escreveu, mais ou menos, trinta linhas. De rebeldia – e após uma crise de choro – publicou o tal texto desaforado.

No dia seguinte, recebeu um e-mail. Seu coração bateu de expectativa, mas o tal sorriso de ao ler o nome do remetente, desapareceu. A crônica acertou o alvo (ainda que esta não fosse a intenção da autora). A mensagem recebida acertou seu coração, e não foi de um jeito bom.

“Li seu texto. Estou confuso. O que está acontecendo com você? Acho que entendeu tudo errado.”

Dezesseis palavras. Ela leu, releu, julgou sua interpretação um tanto falha. Trocou as pontuações por outras, na tentativa de encontrar um erro semântico, que alterasse o teor daquele e-mail. Não tinha como. Era aquilo mesmo. Como dezesseis palavras têm o poder de acabar com o dia de uma pessoa? Não importava mais. O que sentia havia sido roubado, quebrado em mil pedacinhos. Respondeu com um pedido de desculpas, como se amar alguém fosse um grande erro.  Preferiu se afastar, se achou boba, chorou mais um pouco por ter entregue seu melhor para alguém que não deu importância. Continue lendo “Diálogos (quase) possíveis – história 14”

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Diálogos (quase) possíveis – história 13

Era dezesseis de dezembro, de um ano muito quente. Aliás, naquela cidade, fazia calor quase todos os dias. Mas o último mês prometia temperaturas altíssimas, que ela odiava. Você, que me lê, deve estar se perguntando: quem é ela? Não tenho a intenção de responder. Nem hoje, nem nunca. Concedo o benefício da dúvida.  Continue lendo “Diálogos (quase) possíveis – história 13”

Deixa eu te conhecer de novo?

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Era 2007, quando terminamos por telefone. Ele, grudento demais. Eu, buscando um amor tranquilo, como Cazuza cantou. Encerramos um telefonema que não demorou dois minutos. Tudo muito breve, direto. Desliguei, peguei as chaves de casa, a bolsa e fui para a faculdade, como se nada tivesse acontecido. Era só um relacionamento que não deu certo, por ene fatores: distância, bagagens, horizontes e gostos (musicais, literários, gastronômicos). Ele comia feijão gelado. Parece desejo de grávida, eu dizia. E ríamos, até a barriga doer. Continue lendo “Deixa eu te conhecer de novo?”

Prato principal: borboletas

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Ela amou uma primeira vez, achando que seria a única. Foi obrigada, pelo tempo e ingenuidade, a desamar.

Abriu as cortinas sempre fechadas do apê e o segundo amor passeava com o cachorro, em frente à sua janela, às cinco da tarde. Mas ele, menino no jeito e homem na aparência, tinha alguns sonhos que iam contra os ideais pacifistas dela. Acabou quando ela percebeu que suas crenças eram maiores.

O terceiro, metido à besta, cheio de trezentas intenções, era abastecido de uma comunicação de duplo sentido. Mas ela não estava com vontade de decifrar charadas sexuais. Terminou antes de começar. Amor de terceiro andar.

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