Como um sopro

Só para você saber: eu estou aqui e tenho lido coisas lindas. Não me refiro ao livro da minha cabeceira (esse assunto sempre rende), mas a palavras que procuro quando você não está.

Que medo! Que medo de meter o pé na porta errada ou chutar e não acertar. Ando nos arredores do seu coração, na ponta dos pés, segurando minhas imperfeições para não fazer barulho. Já pensou se passo e quebro alguma coisa? Eu já fiz isso, lembra? Não foi legal. Trago as cicatrizes emocionais até hoje. Continuar lendo

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Que me lê

Sou a favor de tentativas e insistências. Já desisti de coisas demais. E acredito que você, que me lê agora, também já tenha deixado muitas coisas para trás. Estamos muito longe, eu sei. E somos muito diferentes. Aqui chove e é domingo. Eu quis escrever. Desculpe, mas eu precisava escrever.

Em alguns momentos, enquanto escrevo, me acho muito egoísta. Falo de mim, dos meus sentimentos e sei que ninguém liga para isso. Mas não sei como falar de você, sem falar de mim. Tudo nasce aqui. Serei gentil a ponto de pular os clichês repetitivos de insônia e saudade. Das gavetas vazias e dos ombros cansados. Porque, no final de tudo, ninguém liga. Continuar lendo

Deixa eu te conhecer de novo?

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Era 2007, quando terminamos por telefone. Ele, grudento demais. Eu, buscando um amor tranquilo, como Cazuza cantou. Encerramos um telefonema que não demorou dois minutos. Tudo muito breve, direto. Desliguei, peguei as chaves de casa, a bolsa e fui para a faculdade, como se nada tivesse acontecido. Era só um relacionamento que não deu certo, por ene fatores: distância, bagagens, horizontes e gostos (musicais, literários, gastronômicos). Ele comia feijão gelado. Parece desejo de grávida, eu dizia. E ríamos, até a barriga doer. Continuar lendo

Curto, para não entediar

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Eu nem sei como começar esse texto, mas quero ser breve. Você não tem mais a paciência de antes. Tive um sonho triste, durante uma soneca à tarde. Às vezes me pergunto como consigo sonhar questões tão profundas em vinte minutos. Na verdade, o ponto não é o sonho, porque você já conhece. Eu sempre falo dessas mesmas pessoas, que me magoaram e ainda povoam meus sentimentos. A questão é que acordei super triste, ameacei umas lágrimas, pensei em te procurar e te contar… mas perdi a coragem. O e-mail, com uma frase só, está no rascunho. Eu só queria que você soubesse que eu gostaria que estivesse aqui, me abraçasse, beijasse minha testa e me dissesse que não foi nada. Que essas pessoas não podem me fazer mal algum e que eu sou forte para passar por isso e por tantas outras coisas. Talvez, não com essas palavras, mas com a intenção. Agora eu olho para a janela, tentando encontrar resposta para o sonho e para a saudade.

E percebo como seria incrível amanhecer com você.

 

Aryane Silva

IMAGEM: Jojo (Deviantart)

 

Diálogos (quase) possíveis – história 12

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Era quatro e catorze da manhã, quando ele despertou, sobressaltado. Quem dormia ao seu lado não notou, o que o fez lamentar aquele cenário. Ela, a outra, estava deitada de bruços, com uma das pernas para fora da cama, dormindo profundamente. Ele ficou sentado na cama, olhando-a dormir, esperando algum tipo de preocupação, ao menos murmurada, mas nada. Que porra eu tô fazendo da minha vida?, ele perguntou a si mesmo. Continuar lendo

Texto curto de desculpas

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Sei que estraguei as coisas, de alguma forma. Vou me arrepender. Aliás, já estou me arrependendo. É que eu nunca acredito que o Universo conspira a meu favor. Sempre acho que as coisas boas são uma espécie de pegadinha do Destino. Eu não sei bancar o meu lado feliz e surpreso. Parece que ser metódica e solitária é uma vantagem pessoal. Então, quando alguém se dispõe a sentar ao meu lado e perguntar sobre mim, desconfio. Mas saiba que, todos os dias, antes de dormir, eu faço planos. Refaço-os, acreditando que serão concretizados um dia. Chego a me pegar sorrindo. Mas penso no quanto sou boba, imatura e disforme para realizar o que quer que seja, então viro pro lado e apago a luz. Eu não quero que você saia da minha vida, mas entenderei se um dia fizer (ou se já o fez). Só queria que soubesse que, do lado de cá, nada mudou. A vontade ainda é maior, mesmo eu sendo tão pequena pra você.

Boa noite e boa semana.

Aryane Silva

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Quando eu era pequena, tinha medo de aranhas.

De quebrar coisas.

De trovões.

De comer cachorro-quente e passar mal (até hoje tenho esse medo).

Eu cresci e os medos continuam os mesmos,

acrescidos de outros mais compreensíveis:

ficar em dependência em Filosofia,

ter filhos naturais,

levar um tiro,

perder as chaves de casa,

ficar presa no elevador. Continuar lendo