O maior dos superpoderes.

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– Ok, então vamos ver. Qual o ser super-herói preferido? – Rodrigo pergunta à Fernanda, enquanto ela termina de picar um tomate.

– Batman, sem dúvida! – ela sorri.

Rodrigo dá uma gargalhada forçada.

– Tá de brincadeira? O Batman não é super-herói! Nem poderes ele tem!

– Pra que poderes, quando temos inteligência? – Fernanda desafiou.

– Pra que inteligência, quando se pode ser prático e usar superpoderes? – Rodrigo perguntou, divertido, sabendo que isso a irritaria a curto prazo.

– Não fale assim dele. O Batman é um incompreendido! Ele carrega sofrimentos profundos! Mas então, qual é o seu preferido? Vejamos se é melhor que o meu.

Rodrigo pensou por um momento.

– Ah, eu gosto do Homem Aranha. – disse, tímido.

Fernanda riu, sem disfarçar.

– Um cara com poderes de aranha? Que fica subindo prédios, se pendurando em teias por preguiça? Ah, faça-me o favor! Você ainda se acha no direito de criticar meu Batman?

– Eu gosto do lado menino que ele conserva, o lance lá da tia May, essas coisas. O que tem de errado? Pelo menos ele presta pra alguma coisa. – rodrigo responde, batendo com o copo vazio na mesa.

– Espere aí, você está querendo dizer que o Batman não presta pra nada? De onde você tirou isso? – ela quis saber.

– Simples: O Batman é da DC Comics e o Homem Aranha, da Marvel. Quem melhor que o Stan Lee para criar personagens, Fê? – Rodrigo ri.

– Então quer dizer que a nossa conversa é sobre o quem é melhor, é isso? Uma competição? Então eu sou melhor que você, pois falo dois idiomas. – Fernanda diz, irritada.

– Ah, é assim? E você que não sabe resolver uma equação? É só colocar um x ou um y no meio para você se desesperar? Meus alunos de treze anos fazem com os pés nas costas. – ele diz, meio irritado.

– Tá, e você que não sabe a diferença de cumprimento e comprimento? Sempre escreve errado!

– Eu não preciso escrever certo! Sou professor de matemática! Agora, você saber fazer contas de cabeça seria legal, já que trabalha com vendas.

Fernanda joga a colher de pau com força dentro da pia.

– Para isso, inventaram uma coisa chamada CALCULADORA! – ela grita.

– E para o meu caso, existe DICIONÁRIO! – Rodrigo responde.

– Ai, não dá para conversar com você, seu arrogante idiota! E seria bom mesmo você usar um dicionário e aprender a escrever direito. MIM NÃO CONJUGA VERBO! – esbraveja ela, saindo da cozinha às pressas, indo em direção ao quarto.

Rodrigo vai atrás, mas ela bate a porta na cara dele. Ele força e entra.

– Vamos parar com isso, Fê. Deixa essa besteira toda para lá. – ele pede.

– Você me acha burra por não saber fazer conta? – ela pergunta, com o olhar triste.

– Não. Ao contrário, você é uma das mulheres mais inteligentes que eu conheço. Incrível. Eu vou parar de usar o mim errado, tá? Prometo.

– Esqueça isso. Cada um tem seu jeito.

– É. – ele disse.

– É. – ela concordou.

Depois de um tempo em silêncio, Fernanda questiona:

– O que foi aquilo lá na cozinha, amor? Isso nunca aconteceu antes.

– Foi nossa primeira briga, o ataque de fúria entre a Mulher Braba e o Homem Sem Noção.

– Então somos dois super-heróis? – ela perguntou sorrindo.

– Sim, e nosso superpoder é o amor. – ele termina, abraçando-a.

 

Aryane Silva

 

 

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