Uma pausa redundante (sobre o tempo)

Às vezes a gente quer um abraço,
outras, um copo.
Um tempo entre um e outro
e uma manhã de sono em dia.
Há quem não saiba para onde ir,
se precisa ficar e aguentar mais um pouco,
e seca as lágrimas na manga do casaco
fingindo que nada aconteceu, nada feriu.

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Seja luz

Quando eu decidi seguir um caminho espiritual, minha vida estava uma bagunça. Ou melhor, eu era a própria bagunça. Estava sendo quem não era e tomando atitudes que não combinavam comigo. Desde muito pequena, através de sonhos e intuições, eu sabia que o meu caminho seria diferente das outras pessoas. Mas ignorei o chamado porque medo de parecer boba diante das pessoas e acabar ficando sozinha. Não é muito diferente do que agora. Mas a minha opinião sobre solidão mudou bastante. Já explico.

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Quase leve

Fins de tarde sempre me dão algum tipo de tristeza, sendo ele de céu cinzento, azul ou com aqueles tons rosados que eu amo. E eu tenho sentido essa melancolia (isso: melancolia!) há um mês. Há exatos trinta dias, às cinco da tarde, abro a porta da sala, sento na varanda, acendo um incenso, boto a água do chá para esquentar e fico ali, inspirando e expirando, deixando algumas lembranças virem e irem.

Durante essas minhas reflexões diárias eu cheguei a uma conclusão: eu não sei lidar com pessoas difíceis. Não sei e não quero mais. Levei trinta e três anos para entender muitas coisas, as que permiti que fizessem comigo, o que fiz com os outros e o que eu não tenho inteligência emocional para lidar. Pessoas difíceis estão nessa minha lista.

Durante toda a vida, me foi ensinado que gente complicada, na maioria das vezes, tem um passado difícil ou não gosta de como vive. Fizeram-me acreditar que para ser bom você precisar aceitar tudo o que vier, de bom grado, porque é assim que deve ser. A vida inteira eu pensei que quando uma pessoa é grosseira, egoísta, manipuladora, indiferente, impaciente e arrogante é porque ela está em algum momento complicado ou, na menos pior das hipóteses, está em um dia ruim. Mas, recentemente eu descobri que tudo o que me disseram não é um padrão. Continue lendo “Quase leve”

Quando o caminho é infinito

Estou caminhando. Estou aprendendo. Não concluída, procuro algo que me defina, sem sucesso. Um dia estou bem, no outro nem tanto e tem aqueles em que não quero ser legal. Às vezes sou amorosa com quem não merece, indiferente com quem me ama. Sou dez em um dia só. Sou milhões de versões, sentimentos e transito por incontáveis pensamentos. Nunca paro. É, não paro mesmo. Continue lendo “Quando o caminho é infinito”

Agradecer [a graça descer]

A vida é muito rara. Muito. Ontem eu estava reclamando de um dedo com alergia provocada por uso de um anel vagabundo e hoje acordo com uma notícia triste. E, por trás dessa notícia, há uma pessoa que eu quero muito bem. E isso me fez voltar, por algum significado que ela jurou que eu tenho em sua vida. Continue lendo “Agradecer [a graça descer]”

(Re)construção

Viver é uma queda inevitável, como andar em uma rua esburacada de salto agulha.

É listar uma série de tarefas para realizar no dia seguinte e procrastinar.

É apanhar e se curar sozinha, sem remédio ou sopro ou abraço.

Estar de pé é mais que uma necessidade. É uma afronta, um desafio no meio de gente caída. E você não pode estar lá. Não pode e não deve.

Viver é sorrir, porque explicar dá trabalho. E fazer o outro entender, mais ainda. Continue lendo “(Re)construção”

Parágrafo único

i_ain__t_missing_you____by_guitargirl94

Fechei meus olhos e me vi sentada no galho de uma árvore enorme, olhando um pôr do sol muito bonito. O céu estava alaranjado, típico de um entardecer de outono. Foi uma sensação tão gostosa, tão singular… E sempre que me imagino neste lugar, você não está lá; essa é minha única tristeza. Então eu tento puxar pela memória nossas lembranças quase mortas pelo tempo, tentando contextualizar o mesmo sentimento que tenho toda vez que visito aquele lugar. Penso no quanto perdemos com o orgulho e a necessidade de provar algo para outras pessoas. Contabilizar essas coisas todas dá muito trabalho. Custa muita reflexão e uma boa dose de desapego, que eu não sei se dou conta. Devíamos ter ido a um lugar bonito. Devíamos ter um cenário bucólico para ir quando os dias futuros doessem (como hoje). Eu tenho um, mas repito: você não está nele. Então sou obrigada a descer da árvore, virar as costas e te buscar na realidade que nos sobrou. Se eu pudesse mudar algo, seria isto. E te olharia com aquele mesmo amor que deixou você ir. Hoje eu não sei amar direito e a culpa é sua. Acho que novos amores me tirarão o chão de um modo negativo. E eu não tenho asas. Você me conheceu quando eu as tinha e, naquela época, meus olhos era infinitos. Eu me pertencia e esperava o bom das coisas e pessoas. Não sei se voltarei a ser assim um dia. Minhas vontades não são tão famintas como antes. Só preciso de paz e um lugar-abrigo para esperar a tempestade passar. Mas ela não passa nunca. Você também não.

Aryane Silva

IMAGEM: DEviantart

Um quase trevo, um quase amor

Certo dia eu estava saindo de casa, quando reparei que no meu jardim havia uma planta que parecia um trevo, mas só tinha três folhas. Eu pensei: “nossa, é quase um trevo. Se tivesse só mais uma folhinha… Que pena”. Pedi para uma aluna abaixar e arrancar. Trouxe para dentro de casa e cometi um erro que, para mim, é gravíssimo.

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Duas joaninhas

Há um mês que faço curso de astrologia. Minha professora, que é um amorzinho de gente, estranhou a minha seriedade. Na primeira aula, ela riu e disse que achava fofo o meu jeito focado (mal ela sabe que eu nunca serei fofa, talvez seja sua projeção pessoal). Estávamos via Skype, dei um sorriso amarelo e encerramos a aula.

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