Um quase trevo, um quase amor

Certo dia eu estava saindo de casa, quando reparei que no meu jardim havia uma planta que parecia um trevo, mas só tinha três folhas. Eu pensei: “nossa, é quase um trevo. Se tivesse só mais uma folhinha… Que pena”. Pedi para uma aluna abaixar e arrancar. Trouxe para dentro de casa e cometi um erro que, para mim, é gravíssimo.

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Prece

Pai,

O Senhor já me deu a força que eu pedi,

e eu não soube usar.

Estava distraída com alguma coisa sem importância.

Agora sinto o peso do tempo não aproveitado em cima de mim.

A falta de sono, de colo e de calor.

E o pior é que não posso reclamar, porque já vim pronta

para as angústias e alegrias.

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Duas joaninhas

Há um mês que faço curso de astrologia. Minha professora, que é um amorzinho de gente, estranhou a minha seriedade. Na primeira aula, ela riu e disse que achava fofo o meu jeito focado (mal ela sabe que eu nunca serei fofa, talvez seja sua projeção pessoal). Estávamos via Skype, dei um sorriso amarelo e encerramos a aula.

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O mundo é fraco para o amor dos fortes

Hoje à tarde fui ao centro comercial do meu bairro, resolver algumas pendências. Confesso que não estava com muita vontade, mas tenho andado adepta a não adiar o que pode ser resolvido na hora. A rua cheia de pessoas, as marchinhas de carnaval ecoando nas lojas e a animação daquele mar de gente me fez um bem danado. Senti a energia positiva e efervescente daqueles que contam os dias para cair na folia. Passei por uma rua de paralelepípedos, abarrotada de gente e fantasias expostas e, em uma das lojas, ouvi uma música latina tocando. Sorri.

Parei para tomar um sorvete e ri para um bebê no colo de uma mulher que andava à minha frente. Alguma coisa o fez rir também. Na mesma hora, passei a mão nos meus cabelos, que soltos sempre despertam sorrisos em pequenos  que sequer falam. A criança estava com o olhar tão fixo em mim, que a mãe se virou. Ela sorriu e seguiu seu caminho. Pensei ” o que eu tenho que todo mundo está sorrindo hoje?“. Vi que o dia começou bem e supus que terminaria melhor ainda.

Até a hora de voltar para casa. Continue lendo “O mundo é fraco para o amor dos fortes”

A arte de se resgatar

 

Hoje eu recebi uma notícia que não esperava. Na verdade, eu meio que já sabia, mas eu andei tão acelerada nos últimos dias – não física, mas mentalmente – que acabei esquecendo. Então fui tomada pela surpresa (ou quase). Diferente das vezes anteriores, desta vez eu precisava pensar sobre o motivo de tanto desconforto. Parei e me perguntei: “em que momento eu me perdi que não percebi isso?”. Continue lendo “A arte de se resgatar”

Questão de empatia

Esta semana precisei ir ao banco para cadastrar a biometria. Só de pensar em ter que passar por uma porta giratória e ficar lá dentro, presa com um monte de gente esperando atendimento, já me deixou tensa. Não consegui dormir na noite anterior. Tentei ver televisão, mas não consegui. Ler, nem pensar. Nada conseguiu me acalmar, nem o remédio que eu uso nessas circunstâncias. Tenho certeza que você deve estar pensando: “meu Deus do céu! Um estardalhaço por causa de uma ida ao banco?”. Eu te entendo. Muita gente pensa a mesma coisa. Continue lendo “Questão de empatia”

Teimosia

 

Era para eu ter dito a você, naquele momento, naquela conversa banal, que eu te queria, mas que não insistiria mais. Porque é cansativo, eu não tenho paciência para voltas, e porque você não quer também. É, eu poderia ter dito, mas preferi me calar e fingir que a sua indiferença não me doeu. Menti para mim mesma, acreditando que não dói em você também.

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Última chance

Aham, acabou. Foi a última dose. Sem pena, remorso ou rancor. Nada me dói ou me desespera. Durou o tempo que foi necessário para que eu aprendesse a não acreditar em palavras macias e expectativas surreais. Te desejo sorte por aí, no que você queira, no que você plante, fale ou finja amar. Parabéns, curta sua vida cheia de pautas. Eu já te disse, não caibo em entrelinhas. Vá enganar-se, perder-se, iludir alguém que tenha o coração mole como o meu. Nao vou te sabotar. Aqui, apenas good vibrations. Vou seguir meu destino, viver como se fosse hoje, amar como se não houvesse amanhã, porque eu não sou dessas que querem um conto de fadas morno. Eu gosto do que pega fogo, me deixa sabores e uma boa impressão para lembrar no dia seguinte. Vai, segue tua estrada. Aqui fica a versão que te convém, mais polida, superficial, apressada no trato e no olhar.

Good lucky!

Aryane Silva

IMAGEM: Petra Collins (Pinterest)

Via

​É, eu não sou mais a mesma. Confesso que ainda fico espantada quando escrevo e digo isso. Depois de muito pensar, percebi que andei em círculo durante muito tempo, levando comigo uma angústia teimosa, alimentando uma esperança cheia de metáforas clichês. É, eu mudei. Ou melhor, estou mudando. Eu precisei ter o coração machucado para me ver e conhecer o que tenho de bonito. Não está sendo fácil. Não é cômodo como eu pensei que seria, principalmente porque você ainda está do outro lado da corda. Mas eu resisto. Aprendi a negar muitas coisas para a minha vaidade, tão carente de surpresas agradáveis. Eu não sou mais aquela que ama sem medidas, sem retribuição, sem a alegria dos pequenos gestos. Entendi que não se trata da via e sim da vontade de duas pessoas em caminharem juntas. Isso serve para amigos e amores. E para você também. 

Aryane Silva

Imagem: Pinterest