Última chance

Aham, acabou. Foi a última dose. Sem pena, remorso ou rancor. Nada me dói ou me desespera. Durou o tempo que foi necessário para que eu aprendesse a não acreditar em palavras macias e expectativas surreais. Te desejo sorte por aí, no que você queira, no que você plante, fale ou finja amar. Parabéns, curta sua vida cheia de pautas. Eu já te disse, não caibo em entrelinhas. Vá enganar-se, perder-se, iludir alguém que tenha o coração mole como o meu. Nao vou te sabotar. Aqui, apenas good vibrations. Vou seguir meu destino, viver como se fosse hoje, amar como se não houvesse amanhã, porque eu não sou dessas que querem um conto de fadas morno. Eu gosto do que pega fogo, me deixa sabores e uma boa impressão para lembrar no dia seguinte. Vai, segue tua estrada. Aqui fica a versão que te convém, mais polida, superficial, apressada no trato e no olhar.

Good lucky!

Aryane Silva

IMAGEM: Petra Collins (Pinterest)

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Via

​É, eu não sou mais a mesma. Confesso que ainda fico espantada quando escrevo e digo isso. Depois de muito pensar, percebi que andei em círculo durante muito tempo, levando comigo uma angústia teimosa, alimentando uma esperança cheia de metáforas clichês. É, eu mudei. Ou melhor, estou mudando. Eu precisei ter o coração machucado para me ver e conhecer o que tenho de bonito. Não está sendo fácil. Não é cômodo como eu pensei que seria, principalmente porque você ainda está do outro lado da corda. Mas eu resisto. Aprendi a negar muitas coisas para a minha vaidade, tão carente de surpresas agradáveis. Eu não sou mais aquela que ama sem medidas, sem retribuição, sem a alegria dos pequenos gestos. Entendi que não se trata da via e sim da vontade de duas pessoas em caminharem juntas. Isso serve para amigos e amores. E para você também. 

Aryane Silva

Imagem: Pinterest

Uma história sobre empatia (ou a falta dela)

Há três meses, fui “achada” por uma colega dos tempos de colégio, em uma rede social. Tomei um susto quando ela me mandou uma mensagem, me chamando pelo apelido de infância. E, ao mesmo tempo, achei graça por ela ter lembrado disso, depois de quase vinte anos. Conversamos trivialidades, nada muito profundo, porque já passava das onze da noite e eu estava caindo de sono.

No dia seguinte, ela me mandou uma nova mensagem, querendo marcar um encontro. Achei estranho. Nunca tive intimidade com ela, nem éramos tão amigas assim. Mas ela queria me ver de qualquer jeito. Sugeriu vários lugares, alguns próximos, outros nem tanto. Respondi que estava almoçando, que pensaria em algum lugar legal e depois combinaríamos.

No segundo dia, após nosso reencontro virtual, ela me mandou mais uma mensagem, me cobrando o tal chopp, que eu sequer gosto. Percebi que ela não era do tipo de pessoa que insiste apenas três vezes. Eu estava lendo um livro de letrinhas minúsculas, quando recebi a mensagem. Respondi com um “ok, fechado”. E já comecei a sofrer, só de pensar em ter que sair de casa. Continuar lendo

Que me lê

Sou a favor de tentativas e insistências. Já desisti de coisas demais. E acredito que você, que me lê agora, também já tenha deixado muitas coisas para trás. Estamos muito longe, eu sei. E somos muito diferentes. Aqui chove e é domingo. Eu quis escrever. Desculpe, mas eu precisava escrever.

Em alguns momentos, enquanto escrevo, me acho muito egoísta. Falo de mim, dos meus sentimentos e sei que ninguém liga para isso. Mas não sei como falar de você, sem falar de mim. Tudo nasce aqui. Serei gentil a ponto de pular os clichês repetitivos de insônia e saudade. Das gavetas vazias e dos ombros cansados. Porque, no final de tudo, ninguém liga. Continuar lendo

Sobre si

Ok, garota. Você já tem mais de trinta. Está longe de ser uma menininha indefesa. Aliás, nunca foi. Sempre foi observadora para ter certeza do próximo passo a ser dado. Nunca negligenciou um sentimento, por mais doentio que fosse. Guardou papéis de carta, de bala e alguns bilhetes. Escreveu cartas (muitas): rasgou a maioria delas por covardia. Virou escritora por valentia. Quis berrar para o mundo tudo o que guardou por anos, na memória e no coração. Continuar lendo

Siga sua alegria

 

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Primeiro texto do ano.

Estou, desde onze da noite, tentando escrever algo que faça algum sentido e que seja tão espetacular, a ponto de me redimir pela ausência de posts nos últimos meses. Aí me dou conta de que não sou espetacular. Sou simples demais para subverter a literatura. Então paro, por mais cinco minutos, para pensar no que escrever.

O texto, a priori, seria sobre a viagem que fiz ao Espírito Santo, na semana passada, mas o mundo não orbita em meu umbigo (quando ele assim o fizer, escrevo). Depois, pensei em algo mais clichê e previsível, o ano novo, mas já tem muita gente escrevendo sobre, utilizando sinônimos e metáforas demais. Então, depois de muito pensar (uma hora e meia, para ser exata), decidi que não quero decidir nada. Está tarde, estou insone e não quero ser chata. Vai ser como precisa ser. Continuar lendo

A sabedoria dos pássaros

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Entender, nem sempre, é necessário. Às vezes experimentar é fundamental. Alimentar os sentidos.

Não saber pode ser o melhor passo a ser dado na caminhada evolutiva.

Talvez, estejamos querendo saber demais, correndo mais do que as pernas podem suportar.

Todos nós somos crianças teimosas e birrentas quando a vida não nos deixa ver o que há do outro lado da porta existencial. Continuar lendo

Em si

Ela não é o tipo de mulher que chora,

mas suas dores estão todas catalogadas por dentro

e ela as carrega sem reclamar.

Sabe respeitar o tempo de cada coisa,

a mudança do tempo,

a sua própria natureza e reconstruções. Continuar lendo

Texto curto de desculpas

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Sei que estraguei as coisas, de alguma forma. Vou me arrepender. Aliás, já estou me arrependendo. É que eu nunca acredito que o Universo conspira a meu favor. Sempre acho que as coisas boas são uma espécie de pegadinha do Destino. Eu não sei bancar o meu lado feliz e surpreso. Parece que ser metódica e solitária é uma vantagem pessoal. Então, quando alguém se dispõe a sentar ao meu lado e perguntar sobre mim, desconfio. Mas saiba que, todos os dias, antes de dormir, eu faço planos. Refaço-os, acreditando que serão concretizados um dia. Chego a me pegar sorrindo. Mas penso no quanto sou boba, imatura e disforme para realizar o que quer que seja, então viro pro lado e apago a luz. Eu não quero que você saia da minha vida, mas entenderei se um dia fizer (ou se já o fez). Só queria que soubesse que, do lado de cá, nada mudou. A vontade ainda é maior, mesmo eu sendo tão pequena pra você.

Boa noite e boa semana.

Aryane Silva