Duas joaninhas

Há um mês que faço curso de astrologia. Minha professora, que é um amorzinho de gente, estranhou a minha seriedade. Na primeira aula, ela riu e disse que achava fofo o meu jeito focado (mal ela sabe que eu nunca serei fofa, talvez seja sua projeção pessoal). Estávamos via Skype, dei um sorriso amarelo e encerramos a aula.

Continue lendo “Duas joaninhas”

Anúncios

Avesso de mim

Deixa eu caminhar. Eu já não encaixo em muita coisa e falo pouco. Recorro a abreviações vocabulares na tentativa de encurtar a falta de ternura. Escrevo em primeira pessoa porque reconheço muita gente em mim. Levo muitas pessoas comigo.

Continue lendo “Avesso de mim”

O mundo é fraco para o amor dos fortes

Hoje à tarde fui ao centro comercial do meu bairro, resolver algumas pendências. Confesso que não estava com muita vontade, mas tenho andado adepta a não adiar o que pode ser resolvido na hora. A rua cheia de pessoas, as marchinhas de carnaval ecoando nas lojas e a animação daquele mar de gente me fez um bem danado. Senti a energia positiva e efervescente daqueles que contam os dias para cair na folia. Passei por uma rua de paralelepípedos, abarrotada de gente e fantasias expostas e, em uma das lojas, ouvi uma música latina tocando. Sorri.

Parei para tomar um sorvete e ri para um bebê no colo de uma mulher que andava à minha frente. Alguma coisa o fez rir também. Na mesma hora, passei a mão nos meus cabelos, que soltos sempre despertam sorrisos em pequenos  que sequer falam. A criança estava com o olhar tão fixo em mim, que a mãe se virou. Ela sorriu e seguiu seu caminho. Pensei ” o que eu tenho que todo mundo está sorrindo hoje?“. Vi que o dia começou bem e supus que terminaria melhor ainda.

Até a hora de voltar para casa. Continue lendo “O mundo é fraco para o amor dos fortes”

A arte de se resgatar

 

Hoje eu recebi uma notícia que não esperava. Na verdade, eu meio que já sabia, mas eu andei tão acelerada nos últimos dias – não física, mas mentalmente – que acabei esquecendo. Então fui tomada pela surpresa (ou quase). Diferente das vezes anteriores, desta vez eu precisava pensar sobre o motivo de tanto desconforto. Parei e me perguntei: “em que momento eu me perdi que não percebi isso?”. Continue lendo “A arte de se resgatar”

Sobre si

Ok, garota. Você já tem mais de trinta. Está longe de ser uma menininha indefesa. Aliás, nunca foi. Sempre foi observadora para ter certeza do próximo passo a ser dado. Nunca negligenciou um sentimento, por mais doentio que fosse. Guardou papéis de carta, de bala e alguns bilhetes. Escreveu cartas (muitas): rasgou a maioria delas por covardia. Virou escritora por valentia. Quis berrar para o mundo tudo o que guardou por anos, na memória e no coração. Continue lendo “Sobre si”

A sabedoria dos pássaros

day_seventeen_by_mary_by-d53xbhp

Entender, nem sempre, é necessário. Às vezes experimentar é fundamental. Alimentar os sentidos.

Não saber pode ser o melhor passo a ser dado na caminhada evolutiva.

Talvez, estejamos querendo saber demais, correndo mais do que as pernas podem suportar.

Todos nós somos crianças teimosas e birrentas quando a vida não nos deixa ver o que há do outro lado da porta existencial. Continue lendo “A sabedoria dos pássaros”

A mim

792fad1f09e7d4ece54a89d375ed3977

Vou me dar um tempo. Alguma coisa está me pesando mais que o normal. Por mais que eu saiba carregar muita coisa, não quero mais. Algo me dói nas costas e no coração. Preciso entender o que anda me afastando dos meus ideais e dos sonhos que eu tinha. Os dias nascem iguais e eu também. E se a vida é esse movimento diário e necessário, algo está me adormecendo e me fazendo perder a hora. Continue lendo “A mim”

Do que eu sei

------------------------------------------------------------------------------

Eu sabia que alguma coisa estava errada comigo. Acreditei ser o inferno astral que se vive um mês antes do aniversário. Deixei o café esfriar por diversas vezes e esqueci a porta aberta em dia de chuva. Não me lembrei de prazos e falei o que não devia. Abandonei o meu entusiasmo totalmente, deixei me chamarem no portão e não atendi. Esqueci o celular desligado. Não paguei a conta de telefone. A ração do cachorro acabou e eu não vi.

Pensei que era paixão, mas não é (desta vez). É a cabeça trabalhando sem parar, me mostrando algumas verdades que eu esqueci no fundo da gaveta. Continue lendo “Do que eu sei”