Diálogos (quase) possíveis – história 2

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[Julho de 2007]

Estava frio. Assim como na foto que ilustra o post, eu me encolhia, na tentativa de superar o frio do corpo e da alma. Por entre as mechas dos cabelos, vi alguém passar na esquina, sair do meu campo de visão e voltar. E quando essa pessoa me olhou de novo, se aproximou. E quando se aproximou, senti toda a minha dignidade ir embora.

– Nani, é você? – ela se agachou, tirando o cabelo do meu rosto.

– Infelizmente, sim. – respondi, sem olhar para ela.

– O que aconteceu com você? Por que está aqui?

– Você quer saber da parte boa ou da parte triste da história?

– As duas.

– A parte boa é que eu me separei. E a parte triste é que eu me separei.

Ela riu.

– Como se separar daquele filho da puta pode ser uma parte triste, Nani?

Levantei o rosto e abracei os joelhos.

– Se você olhar para mim vai encontrar sua resposta. Continuar lendo

Quando eu era Flor

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Certa vez, minha irmã disse que nós aprendemos com os mais velhos, porque eles têm a experiência de quem passou por uma vida inteira cometendo cagadas. Acreditei nisso por anos, mas hoje eu creio que a melhor forma de aprender é vendo o que o outro faz de errado e que a gente condena, sem querer (às vezes). Aí, você que leu até aqui, vai estalar a boca seguidas vezes, igual a um relógio de pêndulo e dizer que isso é julgar o outro. Sim, pode até ser, mas atire a primeira pedra quem nunca viu alguém fazer algo repulsivo e fez “argh, eu nunca faria isso”. Pois bem, é bem por aí mesmo. Julgar, para mim, é apontar o dedo só por esporte. Mas isso seria pauta para uma próxima crônica. Continuar lendo

Carta para um amigo que amo

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Uma vez você me perguntou por que eu não escrevo sobre amizade, e eu, sempre saindo à francesa, preferi falar sobre a modelo magrela do outdoor que estava à nossa frente, fazendo uma piada que acabou te distraindo. Nesse dia, ou melhor, nessa época, eu não era muito honesta comigo, o que dificultava ser sincera com quem quer que fosse. Mas a vida, essa danada, acabou me mostrando a verdade, deixando que eu passasse pela experiência para aprender. E agora, justo agora, eu posso escrever sobre. Continuar lendo